Sou uma mistura contraditória, mas extremamente verdadeira!

Sou uma mistura contraditória, mas extremamente verdadeira! Sou desbocada, falo muitos palavrões a cada dez minutos. Penso em voz alta, e faço diálogos e batalhas internas.

Imagino cenas, me pressiono, choro na frente do espelho, danço sozinha no quarto vestindo minha lingerie nova.

Acordo de péssimo humor e levo horas pra despertar de verdade.

Não penteio o cabelo, só debaixo do chuveiro.

Uso pouca maquiagem e deixo o rímel borrar.

Odeio salto alto e vestido de menininha. Mas de vez em quando me visto de garota. Faço 40 anos e ainda uso mini saia.

Bebo cerveja forte, danço com vontade sem ligar pra quem está em volta.

Troco olhares, mas não encaro.

Dou gargalhadas enormes e estampo meu sorriso por aí.

Deixo as lágrimas caírem quando bem entendo e vou embora de onde estiver.

Não dirijo.

Trabalho com tanta paixão que chega a doer.

Faço textos enormes e deleto todos.

Faço bullying com meus amigos do trabalho e deixo que façam comigo.

Abraço ideias e visto a camisa.

Não tenho paciência para telefone.

Sou intolerante às vezes e inquieta o tempo todo. Minha sinceridade incomoda e assusta.

Me apaixono pelo formato da areia de uma praia, pela forma como a onda bate e volta. Fico parada por longos minutos olhando o céu.

Observo o vai e vem dos carros à noite enquanto passeio com minhas cachorras. Olho para cada janelinha acesa dos prédios e imagino as vidas ali dentro.

Sonho em fazer uma viagem completamente sozinha.

Gosto do cheio do mato, da terra secando depois da chuva, do sol saindo entre as nuvens após a tempestade.

Me sinto péssima quando me obrigam a fazer algo. Aprendi a dizer não.

Morro de vontade de morar em uma casinha de uma cidade praiana bem pequena.

Acendo incenso pra dormir, sinto o cheiro de paz da minha casa, mesmo com a bagunça da minha filha e dos meus bichos.

Deito de barriga pra cima na cama e penso na vida.

Gosto das janelas abertas e do mensageiro dos ventos chacoalhando sem parar.

Detesto cozinhar, mas sou boa de garfo.

Adoro olhar uma mesa cheia de amigos, de copos de cerveja, porções de comida, de assuntos interessantes ou de bobagens que fazem todo mundo rir.

Traço diálogos enormes com a minha filha de 11 anos. Falo sobre assédio, bullying, amor, explico a minha ansiedade e bipolaridade.

Ouço as perguntas e respondo todas, mesmo que meu cérebro esteja exausto da curiosidade infantil.

Choro no colo dela, ganhando um cafuné e ouvindo um “vai ficar tudo bem, mamãe”.

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Tenho ciúmes dos meus amigos. Gosto de cada um deles de um jeito específico.

Tenho crises de identidade e ligo pra desabafar. Mudo de ideia e opinião. Insisto em algumas pessoas, mas abandono de vez quando meu saco enche.

Sou direta e verdadeira e não gosto de joguinhos.

Meu pensamento não acompanha pessoas lentas.

Detesto homens que enrolam, me irrito com comentários depreciativos. Tenho dificuldade em entender certas frases que não são ditas claramente.

Não me faço de louca. Eu sou louca em muitos momentos.

Quem sou eu?

Sou a mistura de todas essas atitudes, mesmo que contraditórias, são extremamente verdadeiras.

Levei anos para descobrir cada um desses detalhes, parte de um processo de autoanálise que precisei fazer para sobreviver.

E quer saber?

Ao escrever cada linha, me deliciei comigo mesma.

Chorei, ri, e constatei que cada um de nós deveria saber se descrever de forma detalhada e verdadeira.

Quem é você, afinal?

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Aline Rollo
Reflita, conheça, viaje, utilize, se doe, se ame, perdoe, divirta-se, viva.