Ontem acordei estranha. Tenho transtorno de ansiedade e transtorno bipolar, controlados via medicação, exercícios físicos e meditação. Estou em isolamento por ser hipertensa (grupo de risco).

Levantei, limpei a casa, conduzi exercícios físicos para minha mãe de 62 anos. Fiz meus exercícios, ajudei minha filha nas lições, trabalhei via home office, almocei. Continuei muito pra baixo. Trabalhei mais um pouco, fiz a janta, fiz as unhas e comecei a ter mal estar. A pressão, que estava controlada há meses, subiu. Tomei um ansiolítico inteiro, algo que não fazia há meses também (e vinha comemorando esse fato).

O pronunciamento daquele “homem”, que segundo ele, era para acabar com a histeria, me deixou em pânico. Acordei hoje tentando acreditar em dias melhores. Mas está difícil pelo menos para mim!

O discurso do presidente da república conseguiu acabar com a minha resiliência a respeito disso tudo.

Não é fácil ficar em isolamento social, e tenho comprovado isso através de amigos e pessoas próximas, que começam a manifestar ansiedade e estado depressivo.

Até então, mantive firme a ideia de cuidar da minha família e de todos, e minha sanidade permanecia intacta. Mas ontem, já não consegui dormir direito por medo. Acordei aos solavancos, com medo de tudo.

Enquanto temos segurança de que os governantes estão cuidando de tudo, o isolamento parece mais fácil. Porém, ontem, me senti completamente desprotegida, com a sensação de não conseguir proteger minha família, caso tudo volte ao “normal “, como o atleta presidente quer.

Me revoltei e lancei um desabafo:

“Vamos fazer o seguinte. Voltem a trabalhar então. Saiam pra rua. Peguem ônibus lotado também, não tem outro jeito. Aí quando começarem a ficar doentes, seja por Coronavírus ou outra doença (estamos todos sujeitos) corram para o hospital, que já estará lotado.

Que absurdo!

Vai primeiro o pai pro hospital, mas a avó e a esposa se sentem mal também.

Alguns dias de licença médica e sem receber nada.

Não entra dinheiro, e agora?

Vocês desabafam com o médico ou a enfermeira, que contam sobre algumas vidas que viram se apagar em suas mãos, enquanto se isolavam de suas esposas, filhos, mães, familiares com graves enfermidades.

O medo da contaminação.

Vocês saem do hospital e se chocam ao ver um caos ainda maior.

No noticiário, apenas contaminados e mortos, números horríveis, mas que não contam toda a verdade.

Você precisava trabalhar. Todos nós precisamos. E muitas pessoas lutaram pra que você pudesse ficar em casa.

Os policiais, profissionais da saúde, atendentes de mercado, farmácia, delivery, motoboys, caminhoneiros, produtores rurais, jornalistas, prefeitos, bancários.

Por favor, aguentem um pouco mais.

A ajuda está vindo.

Vamos ser solidários uns aos outros, fazer uma corrente de auxílio.

Vamos tentar promover a paz, sem querer soar clichê.

Por favor, vamos aguentar mais um pouco!

Hoje acordei tentando acreditar em dias melhores!

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Aline Rollo
Reflita, conheça, viaje, utilize, se doe, se ame, perdoe, divirta-se, viva.