Tá complicado para os corações que anseiam pelo amor verdadeiro. Para aquelas mulheres que sonham em viver um grande amor… tá complicado! Aquelas com um bom coração, que bate acelerado, e não machucam ninguém. Aquelas que alimentam a esperança de encontrar um amor honesto e uma companhia amiga para os restos dos seus dias.

Mesmo quem já conseguiu um amor para chamar de seu, vive dias de insegurança e desconfiam do amor que sentem ou do amor que dizem sentir… Sofrem com medo de serem machucadas, física ou emocionalmente. Sofrem abusos psicológicos e muitas, apanham caladas, na esperança de que o agressor mude.

A escravização das mulheres ultrapassa a mera ideologia de que, mulher deve ser compreensiva e de que todos os homens são iguais, para cair na selvageria do julgamento e da exposição pública de suas fragilidades quando se dá o ato de violência por parte do homem.

A banalização da violência contra mulher, chamada de feminicídio, escancara a cultura de desvalorização da mulher. Homens que odeiam mulheres tem aos montes. Homens que se sentem intimidados pela força feminina aparecem diariamente nos noticiários… E a cultura do desprezo pela mulher continua latente e destruindo famílias pelo nosso Brasil.

Sobre isso, a única coisa que posso dizer é que um bom coração, bate, sem machucar ninguém. Se machuca, se fere, é porque ali dentro mora um monstro que precisa de tratamento psicológico ou de internação que o separe do convívio com a sociedade. Não deve existir afrouxamento nesse caso, não podemos admitir que mais mulheres morram ou sejam brutalmente agredidas por homens desequilibrados psicologicamente.

O caso mais comentado essa semana, não que não tenha havido outros, porque houveram, e muitos, foi o espancamento da mulher que aceitou um encontro, em seu apartamento, e acabou sendo espancada quase até a morte. As chamadas das matérias já estampavam o preconceito com a idade e com a beleza da mulher.

As manchetes diziam, “olha como ela era e olha como ela ficou”, “mulher de 55 anos passa noite em seu apartamento com jovem de 27 e é agredida por 4 horas quase até a morte”.

Estamparam o rosto dela desfigurado pelo mundo inteiro, e além da violência que ela sofreu, que já será praticamente impossível de superar, ainda terá que conviver com essa exposição pública e absurda.

Á imprensa sensacionalista e à cultura machista, não importam as vidas de mulheres ceifadas pela violência, pois se quisessem mesmo combater a violência contra as mulheres, teriam estampado a cara do agressor em todos os lugares, e não o rosto da mulher desfigurado. Porque todos sabemos o que acontece tempos depois, todos esquecem o nome do agressor, e só lembram da mulher agredida.

Fiz uma busca e a grande maioria dos veículos estamparam o rosto dela, e vasculharam a vida e a família, ao invés de traçarem um perfil psicológico do agressor. o R7, teve a capacidade de publicar uma matéria sobre a beleza da vítima, e sobre as viagens que ela gostava de fazer, beira o absurdo!

Com esse tipo de notícia, contribuem para a disseminação e o fortalecimento da cultura machista, criam uma atmosfera de medo medo, para que a mulher sinta que pode ser a próxima vítima, a deixa coagida, e alimentam a ideia de que mulher precisa temer e se defender do amor, e sugere que ela desconfie de todos os homens.

Para mim está claro que a humanidade está doente, que alguns veículos de comunicação, quase todos, estão tomados de pessoas psicologicamente descompensadas e despreparadas. O jornalismo deveria ser o berço do esclarecimento das massas, não a fabrica que produz preconceitos e reproduz violência!

Esse texto é uma homenagem a essa mulher que não desistiu do amor, mesmo depois de tanto tentar. Que não possui preconceito com idade, cor ou credo, mas só queria ser feliz! Não importa quantos anos tenha! Ela merece isso! Merece um homem que seja amor, que tenha um bom coração, um coração que bata apenas em seu próprio peito, sem nunca a machucar.

Esse texto é uma declaração de amor a ela, que precisa, nesse momento, exatamente disso… de amor!

Para que fique bem claro o nome dele é Vinícius Batista Serra, e com apenas 27 anos já provou que não pode conviver em sociedade, em 2016 o próprio pai o denunciou por agredir o irmão deficiente.

Uma lição que tiramos disso, não é um conselho para as mulheres temerem e se protegerem, mas um aviso aos homens que gostam de machucar mulheres: A hora de vocês vai chegar, e vocês não ficarão em punes.

A justiça do Brasil é falha sim, mas a de Deus não vai deixar barato. Tenham certeza disso!

E um aviso para as mulheres encarceradas em suas próprias mentes criadas e curtidas no machismo: Vocês não tem culpa de serem ignorantes ao julgarem uma outra mulher por sua idade ou sua atitude, mas a sociedade que as criaram sim, essa tem que ser modificada e curada na raiz desse problema que é cultural.

O jornal “Correio Braziliense”, um dos poucos que valem a pena ler ultimamente, mostrou que só, em dezembro de 2018, 391 mulheres foram agredidas POR DIA e foram registradas 974 tentativas de feminicídio – um aumento de 78% em relação ao mesmo período do ano passado.

Esse dado comprova que a violência contra a mulher não é um caso ou outro isolado, é uma constante. Esses números são de mulheres que tiveram coragem e denunciaram, mas existem muitas que nem chegam a denunciar, todos sabem disso!

Está claro que se houve um aumento de 78%, friso, não foram 8%, foram 78% de agressões, que existem muitos homens doentes e que se faz urgente não só um plano de proteção as mulheres, como muitos veículos querem enfatizar, mas é evidente a necessidade de uma mudança de postura social em relação a esses covardes que se dizem homens, mas que não passam de uma aberração da natureza!

Se nesse caso, Vinicius for liberado e a sua versão de “surto” for aceita, como é comum acontecer no Brasil, que essa matéria escrita por mim, possa, pelo menos, estampar o rosto certo, o rosto do agressor, daquele que deve e merece ser exposto, e não da mulher, que sofreu e é vítima de uma sociedade hipócrita e conivente.

#sororidadeelaine

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Iara Fonseca
Jornalista, poeta, educadora social, fundadora e editora de conteúdo do Rede de Ideias: PRODUÇÃO DE CONTEÚDO. Seu interior é intenso, sempre foi, transforma suas angustias em textos que ajudam muito mais a ela própria do que a quem lê. As vezes se pega relendo seus textos para tentar colocar em prática aquilo que, ela mesma, sabe que é difícil. Acredita que viemos aqui para aprender a ser, a cada dia, um pouco melhor, para si mesmo, e para o outro!