Quer fazer um bem danado para o seu filho na quarentena? Dá um papel e um lápis pra ele!

O papel e o lápis sempre foram os meus melhores amigos.

Desde criança, eles nunca deixaram que eu me sentisse sozinha.

Como bons amigos, nos momentos mais difíceis, foram eles que me disseram o que estava precisando ser curado em mim. E eu ia me curando, com a ajuda deles.

Nós, os seres humanos, temos uma profunda necessidade de nos isentar da responsabilidade pela nossa própria vida. Acabamos deixando a cargo de outras situações e pessoas, o nosso estado emocional, espiritual e até as nossas escolhas profissionais, simplesmente, temos o hábito de terceirizar culpas, e muitos de nós, caem em profundo estado de sofrimento por conta disso.

Mas o que isso tem a ver com dar lápis e papel para o nosso filho? Calma, vou explicar ao longo do texto e você vai entender.

Esse tipo de comportamento nasce na infância.

Buscando nos autoafirmar, logo que nos damos conta de nós mesmos, passamos a julgar e discordar, primeiro dos nossos pais, depois de todo o resto. E quando assumimos essa postura de dizer não para os nossos pais e para aqueles com quem mantivemos relações na vida, ou que nos deram a vida, ou que nos mantiveram na vida, entramos em desacordo com a realidade e passamos a viver insatisfeitos.

Eu era essa pessoa insatisfeita. Reclamava de tudo e de todos. O problema sempre estava no outro, nunca em mim, e por muitos anos me isolei dos outros pois os julgava e queria impor o meu ponto de vista, era também por isso, também solitária, e triste.

Fui uma criança adulta demais. Capricorniana, sempre querendo administrar as coisas, e colocar ordem nas situações.

Demorou um bom tempo até que eu entendesse que toda vez que eu tentava colocar as coisas em ordem, na verdade, eu acabava desorganizando tudo.

Parece estranho, mas se pararmos para pensar, é simples.

Nós chegamos depois de nossos pais, a ordem é essa, os que vieram antes, possuem os ensinamentos necessários para a nossa evolução e precisam nos passar as suas experiências, mesmo que elas nos causem dor e sofrimento. As experiencias dos nossos pais, mesmo que não estejam mais vivos, mesmo que tenham nos abandonado, mesmo que tenham nos feito sofrer, são as lições exatas que precisávamos aprender para o nosso processo de evolução.

Quando as negamos, ou tentamos excluir algum membro da família das nossas vidas, bloqueamos aspectos essenciais para o nosso desenvolvimento enquanto seres humanos. E essa posição que assumimos, nos leva a um estado de sofrimento, gera ansiedade, e tudo mais.

Enquanto não tomarmos para nós os seus ensinamentos, e concordamos com eles, os aceitando da maneira como eles são, não de maneira subserviente, mas honrando-os e assimilando as suas lições, não nos sentiremos inteiros e satisfeitos conosco. Ficaremos culpando os outros eternamente. Insatisfeitos e invigilantes não descobriremos o sentido da vida, “nos perderemos entre muitos”, e perderemos tempo com o que pouco importa, em detrimento do que tem real importância.

Tudo isso faz sentido para você?

Fez sentido para mim!

Essas afirmações que fiz, fazem parte dos ensinamentos da Constelação Familiar e da Inteligência Sistêmica do Dr. Décio Fábio Junior.

Dr Décio falou sobre isso durante uma das lives do Resiliência Humana que deram origem ao curso “Vencendo seus Limites”, e depois de me deparar com esse conhecimento, entendi muito sobre o comportamento de crianças e pais.

Refletindo sobre esse ensinamento, percebi que o papel e o lápis podem salvar vidas e relações, explicarei melhor:

Transmutando os julgamentos com um papel e um lápis

Quando eu era criança não existia computador, nem celular. Brinquedos também não eram muitos, tive a sorte de ter uma mãe com fortes tendências artísticas, porém, ela não tinha plena consciência desse dom.

Ela gostava de escrever, pintar e desenhar, e eu ficava encantada com isso.

Ela sempre me dava papel e lápis para que eu pudesse escrever o que eu estava pensando no momento, se ela tivesse empreendido com esse método, ela poderia estar rica hoje, basicamente ela teve a ideia do Facebook – Escreva o que você está pensando, ela dizia – e eu escrevia.

Chegou um momento que não precisava mais mandar, toda a hora que vinha um pensamento bonito, uma coisa de dentro, uma forte inspiração, eu fluía com ela, e permitia que ela se transformasse em palavras.

Essa prática desde a infância me fez um bem danado. E a partir do momento que eu percebi que escrever me ajudava a transmudar meus pensamentos e julgamentos, e que me dava o poder de analisá-los com uma visão de fora, nunca mais me separei do papel e do lápis, e eles nunca me desampararam.

Sempre vinha um conselho edificante, um puxão de orelha, um ensinamento repleto de sabedoria. O que acontece com quem não sabe escrever ou diz que não sabe, é que geralmente, a pessoa fica tentando racionalizar demais, e acaba divagando, ficando prolixo, ou sucinto demais.

Escrever exige entrega! Como tudo na vida! Mas para a escrita fazer um efeito efetivamente terapêutico, ela tem que vir da alma, não da mente.

Digo que os pais deveriam incorporar esse hábito para si mesmos e compartilharem com seus filhos porque escrever o que pensamos nos faz refletir sobre quem somos.

Nos obriga a olhar para dentro, a consultar e validar as nossas ideias, e as informações que consumimos continuamente e que formam a nossa opinião, ou ponto de vista.

Ela nos permite olha para fora, mas de uma maneira que sempre nos faz retornar para dentro. Nos ajuda a avaliar os nossos próprios julgamentos em relação a nós e aos outros, e a entender quais são os nossos pensamentos, e quais são apenas memórias de dor de experiencias passadas que retornam todas as vezes que vibramos no medo.

Crianças costumam ter medo de muitas coisas que para nós adultos, não faz o menor sentido. Mas para elas faz sim.

Quando negamos os seus medos infantis, invalidamos os seus sentimentos, e dizemos que elas precisam superar isso, só que não ensinamos como.

Elas se questionam e não entendem porque temem, mas temem. E esse processo é quase sempre doloroso, para os pais e para as crianças.

Devemos incentivá-los a escreverem o que pensam e sentem desde pequenos, não para que possamos ler depois, mas para que eles possam começar a conhecer quem eles são de verdade, sem que precisem se autoafirmar depois, descordando da gente e se rebelando contra nós.

O mesmo conselho estendo aos pais.

Escrevam, mesmo que acreditem não saber. Todos, no fundo sabem. Só não se permitem fluir com as palavras, como também não se permitem fluir com a vida. Querem sempre estar no controle, e ao tentar controlar as palavras e a vida, continuamente perdem grandes e pequenas oportunidades de serem felizes.

As letras refletem as nossas emoções conscientes e inconscientes. Se estão bagunçadas e desordenadas, assim estamos.

Elas nos revelam esse estado, e quando temos consciência dele, podemos transformar o que precisa ser curado. É lindo!

Quem tem um pouco de experiência e escreve com frequência, desenvolve a inteligência emocional, a ponto de abrir espaço para uma inteligência que vem sendo discutida nesses novos tempos que é a inteligência espiritual. (desvinculada de religião, ou melhor, não necessariamente ligada a uma).

Essas pessoas conseguem avaliar o equilíbrio ou desequilíbrio interno de quem escreve o que escreve.

Parece loucura, mas não é.

Eu sou uma dessas pessoas que lê e já entende o momento de vida que o outro tá passando, obviamente, que falo de artigos, não de matérias informativas, mas até no estilo das fakenews dá para perceber o nível de desequilíbrio interno tanto de quem fez a arte, quanto de quem compartilhou.

Comecem a analisar vocês também! Sem julgar, apenas, reflitam sobre o que vocês costumam partilhar e consumir.

É daí, dessa organização dos pensamentos, na prática diária, que conseguimos gerenciar certas emoções desalinhadas e curar os sentimentos que, de quando em vez, nos levam a acessar um estado de sofrimento devastador. Os nossos pensamentos e a nossa necessidade de controle nos leva a ele.

Dê para o seu filho todos os dias um papel e um lápis e peça para ele escrever o que ele está pensando.

Comece como uma brincadeira lúdica, depois escreva em um pote (POTINHO DO PENSAMENTO) e peça para ele depositar os papeizinhos nele, ou faça uma pasta para ele guardar e poder consultar como um livrinho.

Faz bem também dar a ele um diário, como tínhamos o hábito antigamente! Ou ensiná-lo a escrever e enviar cartas, como também fazíamos muito quando éramos crianças. É bom até para que eles entendam como nos comunicávamos quando éramos crianças.

Siga o coração!

Tudo que fazemos com amor uma hora dá certo.

Se o seu filho, ou mesmo você se encontram em estado de sofrimento nessa quarentena, experimente fazer isso por uma semana, e se puder, mantenha esse hábito para sempre, escrever é libertador e uma importante ferramenta de autoconhecimento, não é a toa que a maioria dos livros que abordam o tema, oferecem exercícios onde se faz necessária a escrita.

Escreva uma nova história para você a partir de hoje. E deixe os seus filhos livres para escreverem a deles. Depois volta aqui e me conta o que aconteceu!

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Iara Fonseca
Jornalista, poeta, palestrante, produtora e editora de conteúdo do Resiliência Humana e do Seu Amigo Guru. Seu interior é intenso, sempre foi! Transforma suas angustias em textos que ajudam muito mais a ela própria do que a quem lê. As vezes se pega relendo seus textos para tentar colocar em prática aquilo que, ela mesma, sabe que é difícil. Acredita que viemos aqui para aprender a ser, a cada dia, um pouco melhores, para nós, e para o outro!