Quem já se percebeu na bagunça da alma, sabe a alegria que é se reencontrar.

Quando ela olhou para aquele amontoado de roupas no canto do quarto, não pensou duas vezes, juntou tudo e colocou dentro do armário. Aquela bagunça tão as claras, era insuportável e tudo que ela precisava nesse momento era de ordem e paz. Uma parte do seu armário servia de compartimento para as coisas que se espalhavam pela casa e tudo que ela via pelo caminho jogava no cantinho da bagunça, dentro do seu pequeno guarda roupa. Um dia a bagunça nesse cantinho encheu, tinha manga de blusa saindo pra fora, perna da calça, meias sem par e ela pensou: preciso arrumar essa bagunça, mas vou deixar pra quando voltar de viagem.

Viajou, se embriagou de alegria e de vinho, esqueceu um pouco da vida. Se emocionou, conheceu gente nova, comprou algumas coisinhas novas, sorriu 500 vezes para estranhos, visitou lugares mágicos e incríveis e voltou pra casa.

Quando chegou e desfez a mala, qual foi a sua surpresa em ver que aquela bagunça do cantinho tinha ganho espaço e agora eram dois cantinhos para amontoar as coisas que ficavam jogadas. Mas estava com pressa e perderia muito tempo arrumando tudo aquilo, tinha que achar lugar para cada coisa e bom, tempo é vida e ela não tinha tempo a perder, jogou as coisas ali de qualquer jeito, separou o que era pra lavar e foi cuidar do que era importante. E assim, dia após dia, coisas sumiam, coisas eram entulhadas e ela fingia não ver, assim era mais fácil.

Até que um dia ela abriu a porta e seu armário estava completamente revirado de coisas entulhadas, roupas, sapatos, secador, escova de dente e até uma colher de pau estava ali no meio daquela bagunça.

Ela olhou para as 4 portas do seu pequeno armário e assustada viu que não teria outro jeito, aquela bagunça precisava ser olhada, não dava mais pra esconder.

Ela já não sabia quem escondia de quem, mas decidiu colocar tudo pra fora.

Despejou sua bagunça no tapete da sala.

Começou a separar peça por peça.

No meio de tudo aquilo, sentiu preguiça e quis parar um pouco. Perguntou para si mesma: porque você guarda tanta coisa?

Quanto trabalho a gente tem pra limpar tudo isso!

Acho melhor você ficar um tempo sem comprar coisas novas.

Ali ela iria demorar pelo menos uma semana arrumando, mas ela não estava muito dedicada, queria fazer aquilo mas ficava ansiosa com o tempo que perderia.

Decidiu que ia simplesmente doar tudo aquilo e comprar somente o necessário, assim pouparia seu trabalho. Mas realmente não tinha escapatória, ela não queria e não podia gastar tanto dinheiro fazendo um novo enxoval, percebeu que estava agindo como uma garotinha mimada e então… se dedicou.

Colocou a mão na massa pra valer.

Colocou cada coisa em seu lugar, empilhou no móvel da sala tudo que já não servia mais e volto pro guarda roupa, bem organizado, tudo aquilo que antes era tralha.

E refez seus cantinhos.

Quem nunca teve o guarda roupa da alma bagunçado nessa vida?

Quantas vezes a gente vai engolindo medos, tristezas, ansiedades, magoas, guardando tudo o que chega até nós, sem ao menos nomear, ou entender, o que está acontecendo?

Acontece muito de irmos entulhando questões mal resolvidas e de repente estamos com as quatro portas entulhadas de emoções bagunçadas.

Um relacionamento mal resolvido, um abuso psicológico no trabalho, assumir responsabilidades com a família que não são nossas, culpas e fardos ilimitados em pequenas caixinhas que ganham dimensões catastróficas quando não são abertas.

É preciso olhar o guarda roupa da nossa alma, é preciso organizar, limpar, tirar o que não serve, entregar a quem pertence aquilo que assumimos como nosso.

Quando não programamos essa limpeza passamos a viver superficialmente, passando pelos caminhos sem sentir o cheiro das flores, sem apreciar a beleza da noite, sem ouvir o canto dos pássaros.

Estamos tão cheios do vazio, que não nos permitimos preencher do que realmente tem valor.

Você vai sentir o quanto é maravilhoso visitar nossos cantinhos, nossas bagunças e descobrir que ainda há espaço para ser quem você é com autenticidade.

Quando colocamos a bagunça pra fora e retomamos o caminho de dentro para fora, trabalhando em prol de conhecer quem somos! A nossa vida se torna magica e o mais importante é que quem segura a varinha de condão, somos nós mesmos.

Deus nos dá essa varinha antes de habitarmos esse corpo lindo que nos contorna.

Essa varinha só funciona quando estamos organizados e leves, quando estamos preenchidos de nós mesmos, quando o amor transborda.

Desse lugar podemos viver a plenitude, a alegria, a essência. Mas primeiro, precisamos limpar o guarda roupa da alma, é assim que recomeçamos a nossa historia!

*Foto de Marcos Paulo Prado no Unsplash

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Carol Daimond
Carol Daimond, mineira de Divinópolis, bacharel em Direito e apaixonada pelas palavras entrelaçadas, mãe, mulher e terapeuta thetahealer, uma mistura de mulher que a cada dia se reinventa em busca da sua melhor entrega em partilha para o mundo. Sua jornada como escritora começou de brincadeira e tem se tornado cada dia mais a sua marca pessoal de verdade e essência.