Por que você deve parar de esperar que os outros sejam o que você quer que eles sejam?

Quando vivemos a esperar que o outro seja diferente do que ele é, passamos a viver em eterno descontentamento.

Sentimos a rejeição do outro que não quer suprir as nossas expectativas e rejeitamos a possibilidade de aceitá-lo como ele gostaria de ser. Se não aceitamos, nos tornamos infelizes e fazemos da vida do outro, um inferno.

Mas quando aceitamos as limitações e o momento evolutivo do outro nos sentimos em paz e vivemos o contentamento que a aceitação nos traz.

Parar de esperar atitudes que o outro não é capaz de tomar é provar que o ama de verdade.

Mesmo que acreditemos que o outro seria mais feliz se ele fizesse exatamente aquilo que entendemos ser melhor para ele, devemos lavar as mãos e nos manter em nosso lugar, que é a nossa própria vida. Não temos direito sobre a vida do outro, a única vida que podemos controlar é a nossa.

As expectativas irreais que criamos em relação a vida do outro só causam indisposições, tanto em nós, quanto no outro que se sente incapaz de realizar aquilo que desejamos, e por isso, prefere se distanciar à ter que conviver com uma pessoa que o cobra atitudes que não condiz com aquilo que ele realmente é.

Ele prefere cortar relações do que viver uma vida toda se sentindo frustrado por não conseguir realizar aquilo que o outro exige.

E quando nos sentimos frustrados nossa alegria se esconde e a tristeza se instala em nossa alma.

O que fazer com a expectativa que criamos?

Quem criou a expectativa que a embale!

Se nós criamos uma expectativa que não condiz com a realidade, somente nós poderemos nos desfazer dela. Nunca será culpa do outro, sempre nossa!

Nossas ilusões são da nossa conta, não devemos cobrar uma conta que é nossa e jogá-la nas costas do outro.

“Se você não espera nada de alguém, nunca fica desapontado.” – Sylvia Plath

Todos nós viemos para esse mundo com uma missão, com um propósito, alguns se desviam do próprio caminho para assumir um caminho imposto por outros, isso acontece muito com a relação mãe/pai/filho, as vezes, entre marido/esposa, mas geralmente, os pais são os maiores criadores de expectativas e os maiores responsáveis pela frustração dos filhos.

O problema é que ninguém pode ser quem nós queremos que eles sejam.

Nossos filhos são seres independentes, foram confiados a nós para que cuidemos e eduquemos, mas nos foi explicado claramente que deveríamos criá-los para que pudessem viver suas próprias vidas de forma independente, do jeito que decidirem, e acharem que devem.

A única maneira de criar filhos fortes é ensiná-los a ter autonomia.

Pais que nunca deixam seus filhos fazerem escolhas, que sempre criticaram as suas atitudes, que acreditam que seus filhos não são capazes de se virar sozinhos, são “pais que afundam”, sim, pais que levam o filho para um buraco chamado “dependência”.

Filhos dependentes são pessoas infelizes, e a infelicidade é um estado permanente na alma desses que vivem a frustração de não conseguirem suprir as altas expectativas de seus pais.

O que seus pais não sabem e não querem enxergar é que eles são muito bons sendo eles mesmos. Eles querem estar confiantes e confortáveis ​​em serem quem são e, se quiserem mudar, mudarão em seus próprios termos  - não nos seus.

Quem cria expectativa não conhece o VERDADEIRO sentido da palavra “RESPEITO”

“Bem-aventurado aquele que nada espera, porque nunca ficará desapontado.” – Alexander Pope

Muitas vezes as expectativas são mascaradas com a roupagem de preocupação.

As pessoas que criam expectativas demais costumam usar da preocupação para tentar manipular as atitudes e as escolhas do outro.

Dizem:

Eu estou preocupado com você, você não entende que eu fico sem dormir de preocupação? Que eu passo dias sofrendo preocupado com você?

Esse tipo de manipulação pela preocupação diz ao outro o seguinte:

“Eu não confio em você! Acredito que você não é capaz! Sei que se você fizer isso você se dará mal, porque te conheço mais do que você mesmo!”

Quem cresce escutando essas coisas, mesmo que de forma não declarada, se torna um adulto inseguro, que vive um medo constante do fracasso, e uma autocobrança desumana.

Para quem se identifica com esse comportamento, digo:

Pare imediatamente de se comportar dessa maneira, essa atitude já deve ter sido causa de muito sofrimento!

Comece a praticar o desapego e a focar na sua própria vida!

Repita essa frase várias vezes ao dia:

“Sou desapegado dos resultados do outro (diga o nome da pessoa) e assumo total responsabilidade pela minha felicidade”, seremos mais contentes e pacíficos, nunca mais cobrarei que o outro (nome da pessoa) seja como eu gostaria que ele fosse. Nunca mais me preocuparei com ele, ele sabe o que faz, ele é adulto e tem o direito de viver a própria vida como bem entender”.

O respeito as escolhas do outro deve ser a sua prioridade dentro de um relacionamento, de qualquer natureza.

Cada indivíduo deve ter o direito de escolher o que achar melhor para si. Sem ter que se preocupar com o que fulano acha ou até mesmo ter que enxergar nos olhos de ciclano a desaprovação.

Não é fácil

Para quem possui uma natureza egoísta e controladora é muito difícil se desapegar e deixar o outro viver a própria vida.

Quando as expectativas são impostas dentro de um relacionamento afetivo, a infelicidade é uma constante.

Existem parceiros que cobram a perfeição da esposa, que reclamam de tudo, e querem as coisas de maneira impecável. Não relaxam e não deixam a parceira relaxar.

Existem esposas que fazem o mesmo, esperam o marido chegar para começar a vomitar suas insatisfações, que nada mais são que expectativas criadas, que não condizem com a real personalidade da pessoa com quem se casou.

O amor existe, então eles passam a vida tentando fazer o melhor que podem todos os dias e porque ambos esperam demais um do outro, ou apenas um na relação se comporta assim, o relacionamento acaba esfriando, e a vida a dois se transforma em uma mentira, onde um tenta suprir as expectativas do outro, e nenhum consegue alcançar um nível perfeito de excelência, simplesmente porque a perfeição não existe.

Qual a solução para esse dilema?

Viver a vida sorrindo!

Que?

Sim!

Viver a vida sorrindo é a receita de felicidade daqueles que não criam expectativas, apenas plantam amor.

Aqueles que vivem a vida sorrindo, não possuem tempo para se preocupar, porque sorrir exige tempo e esforço. E quem vive sorrindo não quer ter que parar de sorrir por motivo algum.

Se o marido não levou o lixo para fora, abra um sorriso e leve o lixo.

Se a esposa deixou a luz acesa, abra um sorriso e apague a luz!

Se o seu filho escolheu seguir outro caminho que não aquele que você “esperava” dele, sorria e aceite!

Você poderia conversar tranquilamente com seu filho adolescente que mentiu para você que estava estudando e na verdade, estava jogando vídeo game? Ao invés de soltar um grito de arder os ouvidos?

Você poderia amenizar a dor do fracasso de um filho, sem ter que proferir a conhecida frase: Eu te avisei?

Conheço pessoas que são felizes independente das escolhas do outro, independente das pedras que aparecem no caminho, simplesmente porque eles desconhecem a palavra: EXPECTATIVA.

Nem sempre será fácil deixar o outro viver de acordo com as suas vontades, mas é necessário e imprescindível. A vida do outro é dele, apenas dele.

Geralmente, quem sofre por não ver acolhida sua opinião dentro da vida do outro, são pessoas que acreditam que a vida deveria girar em seu entorno.

São pessoas muito vaidosas que acreditam que devem impor as suas certezas.

Infelizmente essas pessoas ainda não conhecem o amor incondicional, acreditam que amam, mas o amor que sentem é muito egoísta.

Essas pessoas precisam entender que nascemos sozinhos, encontramos pessoas pelo caminho, mas morreremos sozinhos, e o que fica, são nossas experiencias, nossas relações com a vida e com as pessoas, e aqueles que são privados de ser quem são, para cumprir as expectativas daqueles que dizem saber o que é melhor para eles, serão sempre as pessoas mais tristes do mundo. Mergulhadas em depressão, e ansiedade.

Os criadores de expectativas profissionais, depois, ainda afirmam:

“Eu não sei porque meu filho tem depressão, eu sempre fiz tudo pra ele.”

Ou então:

“Eu não sei porque meu marido é agressivo, eu faço tudo pra ele!”

Obvio, fazer tudo é o grande erro!

Ninguém precisa que ninguém faça tudo para ninguém. Pelo contrário, as pessoas precisam se sentir livres para fazerem as suas próprias escolhas, precisam sentir que possuem autonomia e pessoas ao lado que confiam nas suas escolhas de vida. Simples assim!

Por tanto, pergunte-se agora se o seu sofrimento atual possui raízes nas expectativas que você criou em relação ao outro.

Seja sincero com você e entenda, se a resposta for sim, você precisa se libertar desse controle emocional e libertar o outro, principalmente.

NOTA SOBRE ESPIRITUALIDADE:

Quando criamos expectativas e tentamos moldar o outro as nossas vontades, interferimos em algo muito sério, naquilo que foi predestinado a ele, naquilo que ele veio aprender, na sua mais importante missão: A reforma íntima.

Deus sabe o que é melhor para cada filho para que ele consiga concluir sua jornada com exito melhorando aqueles pontos obscuros que precisam ser iluminados.

Na maioria das vezes, o que você pensa ser melhor para alguém, e insiste por anos a fio nessa certeza, não é o caminho que o ajudará a desenvolver sentimentos e emoções que foram destinadas ao cumprimento do seu karma.

É certo que algumas pessoas só aprenderão o que Deus acredita ser a melhor lição, na dor e na dificuldade, e se vivessem com facilidades e mordomias pela vida toda, acabariam aumentando seus débitos e acumulando dívidas para uma outra oportunidade na Terra.

Deus vive em nós e nos dá dicas o tempo todo!

Mesmo que você lute contra as escolhas de alguém, se a escolha dele for o que Deus acredita ser o melhor para a sua edificação, de nada adiantará você ir contra, pelo contrário, a sua atitude não será bem vista aos olhos de Deus, e você estará assumindo a responsabilidade pelo mal emocional que causar a ele.

Pare de uma vez por todas de criar expectativas e aceite as escolhas do outro!

Ao aceitar que a vida do outro é de responsabilidade estritamente dele, você será muito mais feliz!

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Iara Fonseca
Jornalista, poeta, educadora social, fundadora e editora de conteúdo do Rede de Ideias: PRODUÇÃO DE CONTEÚDO. Seu interior é intenso, sempre foi, transforma suas angustias em textos que ajudam muito mais a ela própria do que a quem lê. As vezes se pega relendo seus textos para tentar colocar em prática aquilo que, ela mesma, sabe que é difícil. Acredita que viemos aqui para aprender a ser, a cada dia, um pouco melhor, para si mesmo, e para o outro!