Papa visita comunidade cigana e diz “Ninguém deve ser marginalizado”

“Julgamentos e preconceitos só aumentam as distâncias. Palavras duras não ajudam. Colocar as pessoas em guetos não resolve nada”, disse o Papa ao visitar os ciganos.

O Papa visita comunidade cigana e declara que ninguém deve ser marginalizado: esta foi uma das manchetes desta terça-feira, 14, durante a viagem pontifícia de Francisco à Eslováquia.

Depois de celebrar a Santa Missa em Prešov durante a manhã, o Papa foi à tarde até o bairro de Luník IX, na arquidiocese de Košice. Ali vivem cerca de 4.300 ciganos, a maior densidade populacional da comunidade rom no país.

Desde 2008, a área é beneficiada por um projeto pastoral dos padres salesianos. De fato, o encontro com Francisco foi organizado numa praça em frente ao Centro Pastoral Salesiano, onde se localiza a igreja de Cristo Ressuscitado.

O projeto, realizado em parceria com as filhas de Maria Auxiliadora e com leigos voluntários, aplica o “sistema preventivo” de Dom Bosco, visando integrar, prestar assistência e evangelizar a comunidade rom.

O Papa afirmou aos ciganos de Košice:

“Convido todos vocês a superar os medos, as feridas do passado, com confiança, passo a passo: no trabalho honesto, na dignidade de ganhar o pão de cada dia, no cultivo da confiança recíproca. E na oração uns pelos outros, porque é isto o que nos guia e fortalece. Eu os encorajo, os abençoo e trago até vocês o abraço de toda a Igreja”.

Francisco retomou o âmago do discurso do Papa São Paulo VI aos ciganos em 26 de setembro de 1965. Na ocasião, o pontífice afirmou à comunidade que eles “não estão à margem, mas sim dentro do coração da Igreja”.

Por sua vez, o atual pontífice ressaltou:

“Na Igreja, ninguém deve sentir-se estranho nem marginalizado. E não é só força de expressão, mas é o próprio jeito de ser da Igreja. Ser Igreja é viver como convocados por Deus, sentir-nos eleitos na vida, fazer parte da mesma equipe. É assim que Deus nos quer: cada um diferente, mas todos unidos ao redor d’Ele. O Senhor nos vê juntos. A Igreja é isto: uma família de irmãos e irmãs com o mesmo Pai, que nos deu Jesus como irmão para compreendermos quanto Ele ama a fraternidade e deseja que a humanidade inteira se torne uma família universal”.

A importância da família

Na visita à comunidade cigana de Košice, o Papa Francisco acrescentou:

“Vocês nutrem um grande amor e respeito pela família e olham para a Igreja a partir dessa experiência. Sim, a Igreja é casa, é casa de vocês. Por isso, digo de coração, sejam bem-vindos! Sintam-se sempre pessoas de casa na Igreja e nunca tenham medo de habitar nela. Que ninguém afaste vocês nem qualquer outra pessoa da Igreja”.

Vencer preconceitos

Sobre os desafios para essa fraternidade, o Papa comentou:

“Não é fácil superar os preconceitos, inclusive entre os cristãos. Não é simples sentir apreço pelos outros, considerados frequentemente como obstáculos ou adversários, formulando-se juízos sem conhecer os seus rostos e as suas histórias. Mas ouçamos o que diz Jesus no Evangelho: ‘Não julgueis’ (Mt 7, 1).

O Evangelho não deve ser atenuado, não deve ser aguado. Não julguem, nos diz Cristo. Mas quantas vezes não só falamos sem provas ou por ouvir dizer, mas também achamos que temos a razão quando somos juízes implacáveis dos outros!”

Diretamente ao povo rom, Francisco afirmou:

“Vocês muitas vezes foram alvo de preconceitos e juízos cruéis, estereótipos discriminatórios, palavras e gestos difamatórios. Com isso, todos ficamos mais pobres, pobres em humanidade. O que precisamos para recuperar a dignidade é passar dos preconceitos ao diálogo, dos fechamentos à integração (…)

Julgamentos e preconceitos só aumentam as distâncias. Contrastes e palavras duras não ajudam. Colocar as pessoas em guetos não resolve nada. Quando se cultiva o fechamento, mais cedo ou mais tarde acaba por explodir a raiva (…) O caminho para uma convivência pacífica é a integração.

É um processo orgânico, lento e vital, que começa com o conhecimento mútuo, prossegue com a paciência e estende o olhar ao futuro. E a quem pertence o futuro?

Às crianças. São elas que nos orientam: os seus grandes sonhos não podem se esfacelar contra as nossas barreiras. Elas querem crescer junto com os outros, sem obstáculos nem restrições. Merecem uma vida integrada e livre. São elas que motivam opções clarividentes; não buscam o consenso imediato, mas olham para o futuro de todos”.

Trabalho de integração

O Papa ainda agradeceu aos responsáveis pelos projetos pastorais junto à comunidade rom, um “trabalho de integração que, além de exigir não pouca fadiga, por vezes também é alvo de incompreensão e ingratidão”.

E exortou:

“Prossigam nessa estrada, que não gera a ilusão de poder dar tudo e imediatamente, mas é profética, pois inclui os últimos, constrói a fraternidade, semeia a paz.

Não tenham medo de ir ao encontro de quem é marginalizado. Vocês vão perceber que estão indo ao encontro de Jesus.

Ele espera por vocês onde há fragilidade, não comodidade; onde há serviço, não poder; onde é preciso encarnar-se, não louvar-se. É lá que Ele está”.

*DA REDAÇÃO SAG.
Com informações Aleita.

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