O Universo sempre traz para perto tudo o que a gente teima em ignorar…

Tenho em mim uma crença de que o universo sempre nos traz situações e pessoas para nos ensinarem tudo aquilo que a gente teima em ignorar – e dessa vez, pelo jeito, a necessidade de um baita chacoalhão era COLETIVA.

Sabe, sou da era pré internet – quase um dinossauro – e por mais amante que eu seja de todas essas fantásticas tecnologias e inovações, tenho um resquício de paixão pelo offline que, por mais que eu esqueça, às vezes, sempre vem como uma brisa nostálgica.

Então, para aqueles que não tiveram esse sopro analógico na vida, esse texto virá talvez com um estranhamento… E aos da minha geração para trás, com um acalento de reconhecimento.

Minhas melhores lembranças sempre são daqueles momentos intangíveis vividos ao vivo, no mundo real.

Aquele instante de conexão de alma que vem num olhar, numa palavra, num sentimento capturado num nanossegundo de sutil elevação do canto da boca num sorriso tímido.

Nas risadas convulsionantes de momentos tão estúpidos que não comportam palavras, mas que os envolvidos guardam eternamente como uma piada interna que ninguém que não esteve ali conseguirá entender.

Não há like, não há comentário, não há live assistida ou reação de emojis que vá tatuar no coração o que uma mão dada, um segredo confessado sem fala, o que os pequenos gestos de gentileza do cotidiano, o que um colo oferece ao relicário das memórias eternas pelas quais vale viver – e cujo conforto no coração nada poderá superar.

Os afetos online tem o efeito de uma droga fugaz: dão um pequeno micro segundo de satisfação que, exatamente por ser tão rápida – e aparentemente tão fácil de obter, do conforto da sua casa, de pessoas a milhares de milhas, conhecidas ou não – é igualmente como uma droga; viciante, obsessiva e extremamente vazia.

Por outro lado, quão impactante às vezes nos são os efeitos nocivos dessas mesmas vidas virtuais: um comentário tóxico, um baixo retorno de likes, uma visualização pequena, são capazes de nos afundar num lodo de baixa estima.

Afinal, nosso complexo repertório de vivências guarda gatilhos de reações emocionais que são acionados com a facilidade de um interruptor de lâmpada.

E assim, nos colocamos nessa montanha russa emocional, entre o vício vazio da validação virtual e o pungente martírio de suas ausências, a ponto de substituir nossas vidas, vivências e sentimentos reais. E tudo isso com um engano de que esse anteparo tecnológico nos protege o âmago emocional mais do que desnudos na vida real.

Talvez toda essa situação de pandemia e isolamento social que estamos vivendo seja uma oportunidade do universo para revermos várias dimensões das nossas vidas, e uma delas é esse uso tóxico do virtual.

Nunca tivemos tantas saudades de pessoas que, mesmo sem o isolamento, não víamos pessoalmente há tanto tempo.

Nunca marcamos tantos encontros por teleconferências com gente que não combinávamos um café sequer há milênios.

Nunca quisemos tanto estar fora do online, usando todos os nossos cinco sentidos em momentos reais, com pessoas reais.

Nunca quisemos tanto um abraço, estar junto até daqueles que brigamos.

Nunca tivemos tamanha noção do quanto as curtidas e mensagens online não suprem essa necessidade de interação que é tão característica do ser humano.

Tudo isso não dá para ignorar!

Até percebemos o quanto aquelas vidas de vitrines excitantes e agitadas, de alegrias extasiantes, não são tão reais, que no íntimo e no básico temos todos sentimentos, vidas comuns cheias de momentos banais (aliás, há até uma ansiedade menor sem esse bombardeio de vidas “perfeitas” vendidas nas redes, não é mesmo?).

Essa necessidade do mundo de verdade, das conexões de verdade, de menos artifícios e mais realidade, não é pelo isolamento: o isolamento apenas a deixou escancarada, até para quem queria ignorá-la.

Mas como quase todo evento marcante – para bem e para mal -, nossa memória e nossa elasticidade interna nos permitem, após um tempo, esquecer…

Talvez, apesar de sentir tudo isso, essa consciência vá se esvair passados alguns dias do fim do isolamento e sua vida será colocada de volta aos velhos trilhos, na inércia da inconsciência, no comodismo do conhecido, por mais nocivo que tudo isso seja.

O que será de nós (e o que ficará em nós) depois de todo esse caos é algo que precisamos nos atentar.

Não percamos a chance de usar essas constatações para melhorar nossa vida pós-pandemia de forma irreversível. Tem coisas que não dá para ignorar.

Para isso, precisamos não apenas constatar todos esses sentimentos (como um pensamento que passa como nuvem), mas refletir densamente sobre eles, aprofundando-os como raízes que irão permanecer mesmo após o temporal.

*DA REDAÇÃO SEU AMIGO GURU.

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Marian Koshiba
Formada em Direito, escritora por necessidade de alma, cantora e compositora por paixão visceral. Só sabe viver se for refletindo sobre tudo, sentindo o mundo à flor da pele. Quer transmitir tudo que apreende (e aprende) por todas as formas criativas possíveis.