Na minha jornada de mais de 15 anos como geriatra e também paliativista convivi e convivo com dezenas de pacientes no fim de vida. Já perdi as contas de quantos diálogos ímpares e repletos de significado vivi com eles.

Nesse congresso, conversando em casa com minha mãe e minha avó, falei que eu busco dar qualidade de vida e qualidade de morte aos meus pacientes.Minha mãe me olhou e disse ” nossa minha filha que triste isso não?”

Entendi exatamente o que ela quis dizer!

Expliquei a ela que triste é morrer no abandono e no sofrimento.

É sentir dor e não ser ouvido.

É estar repleto de tubos e fios num lugar cheio de tecnologia e vazio de alma.

Resolvi contar uma história…

Tive um paciente que tinha pavor de morrer. Ele sempre me dizia pra jamais deixa-lo em um CTI, que ele queria morrer em casa e segurando minha mão. Conversávamos muito sobre seus medos. Falávamos sobre sua vida, sua história, seus arrependimentos, suas pendências, suas culpas e suas alegrias.

Caminhamos juntos ate ele falecer… em casa e segurando minha mão!

Semana depois suas filhas foram ao meu consultório para , segundo elas, cumprirem o último desejo do pai.

Recebi um lindo arranjo de flores e uma caixa repleta de bombons. Ele disse as filhas que ao falecer eu deveria receber flores e bombons por ter feito a vida dele mais doce e mais florida…

As lágrimas rolavam copiosamente…

Isso resume tudo, absolutamente tudo que entendo de cuidados paliativos…

Posso não te curar, mas jamais irei te abandonar… até o fim!

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Roberta França
Dra Roberta França Médica Pós graduada em geriatria e gerontologia Pós graduanda em psiquiatria Membro da sociedade brasileira de geriatria e gerontologia Membro da sociedade de neuropsiquiatria geriatrica Membro da Academia Nacional de Cuidados Paliativos Docente da ABRAZ - associação brasileira de Alzheimer Co AUTORA do livro Estratégia de Vencedores