A gente pode até tentar disfarçar emoções e sentimentos, pode até incorporar personagens, fantasiando nossas essências com todos os acessórios necessários para ocultar o que sentimos. Podemos colocar no rosto o nosso melhor sorriso, mas o olho no olho, sempre nos entrega.

O olho no olho é o melhor detector de mentiras.

Nossos olhos são denunciantes, revelam o que sentimos por dentro, sem exigir nada em troca.

Típica furta-cor alaranjada, numa delação premiada.

Confessemos que, por vezes, nossos olhares nos deduram. Não temos maturidade para olhar de outra forma, por entre olhos, dissimuladamente, dos pés à cabeça.

Em alguns momentos, olhar de criança ingênua. Em outros, de mulher madura. Por vezes, olhar terno de menino. Por outras tantas, aquele olhar devorador, do caçador para caça.

Alternamos também o olhar de certeza, do absolutamente seguros, com o de dúvida, aquele que vira o olho para cima, procura o alto como se, em algum lugar nos céus, as respostas mais aguardadas e absurdas fossem surgir, repentinamente.

Tem olhar que penetra, que vai tão fundo, que chega a ler a alma, ver as entranhas.

Tem olhar que revira o estômago e que arrepia. Que congela, que inebria.

Tem gente que parece fazer queda-de-braço, só de olhar para a gente: eu desvio ou tu desvias primeiro?

E acredite, é melhor assim, pois nos desconcerta, nos perdemos por inteiro ao olhar incessantemente.

E aquele olhar que vai diretamente para a boca? Que testemunha suaves mordidas no lábio inferior, direito. Esse olhar é forte, impactante, penetrante. Acarinha sem tocar. Despe sem despir. É profano e sagrado. Mistura de santidade e sacanagem. É quente e despudorado.

Tem olhar que fuzila, que condena, que julga, estes geralmente são olhares de gentes apequenadas, que nada nos acrescentam.

São aqueles que ao olhar para tudo, não olham para nada.

Olhar de cima pra baixo, sem o intuito de ajudar aquele que está no chão a se erguer.

Olhar que espezinha, de gente mesquinha, que reclama sem saber o que é não ter, ou ainda, ter e perder.

Diz a lenda que “a vida só pode ser compreendida, olhando-se para trás; mas só pode ser vivida, olhando-se para frente”.

Então, sendo assim, que saibamos olhar para o passado para que não percamos a nossa essência, que desviemos de olhares frívolos, que nada nos acrescentam.

Que nos emaranhemos em olhares atenuantes, apaziguantes, onde nos encontremos.

Que não deixemos de agradecer aos olhares que nos enxergam como somos.

Afinal, tem tanta coisa linda na intensidade de um olhar, que me arrisco a dizer, que talvez, seja através dele, que aprendemos a separar quem é de verdade, num mundo de mentiras.

Por mais olhares poéticos, que enxerguem poesia em tudo. Por mais olhares marcantes, que deixem marcas eternas.

“Se você olhar de perto, o olho pode dizer mais do que você pensa. Um simples borrão pode se tornar algo. Uma luz vira uma sombra. O mundo fica colorido. Olhe nos meus olhos”.

Olhemos assim, uns nos olhos dos outros. Quando encaramos o olho no olho, os olhos do outro, espelham a nossa alma!

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Karol Pinto
Jornalista, balzaquiana, apaixonada pela escrita e por histórias. Alguém que acredita que escrever é verbalizar o que alma sente e que toda personagem é digna de ter sua experiência relatada e compartilhada. Uma alma que procura sua eterna construção. Uma mulher em constante formação. Uma sonhadora nata. Uma escritora que busca transcrever o que fica nas entrelinhas e que vibra quando consegue lançar no papel muito mais que ideias, mas sim, essências e verdades. Um DNA composto por papel e tinta.