Embora muitos acreditem no contrário, uma prece não é uma fórmula exata, com palavras preestabelecidas. É mais o pensamento que a forma. São verdades ditadas pelo coração e o valor está na intenção com que é concebida. Trata-se muito mais de perceber o momento e pronunciar as angústias, dando voz ao que amargura ou desconsola de alguma forma. Uma prece é, antes de tudo, o assumir de uma necessidade. É quando alguém se assume necessitado de algo e ainda não sabe qual o melhor caminho para solucionar essa equação.

Quanto maior a necessidade, ou a desesperança, maior a força que se emprega nesta súplica. Maior também a beleza deste momento, que se torna único. Ninguém é capaz de esquecer o momento em que passou por uma aflição tão grande a ponto de reconhecer que seus recursos físicos, financeiros ou de qualquer outra natureza, não eram suficientes para dar-lhe o socorro.

Não se trata necessariamente de religião, se esta ou aquela. Se é prece feita em pé, de joelhos ou com a face posta no chão. Trata-se de dar voz a um grito preso na garganta, em um momento angustiante. Não se limita também a uma entidade ou outra, ou a qual “céu” foi direcionada.

A prece é universal, sem credo ou preconceitos que possam limitá-la. É uma conversa que parte do íntimo, direto do que há de mais sagrado dentro de alguém para o sagrado em que ele acredita; é um momento pessoal, intransferível e extremamente apaziguador. No mínimo, segundo Chico Xavier, “a prece nos pacifica para que encontremos, por nós mesmos, a saída para a dificuldade que estejamos enfrentando.”

É claro que nem toda conversa com o sagrado é sobre pedir. Há preces que são de pura gratidão, um externar de bênçãos recebidas. É quando se assume, com humildade, que recebeu da vida muito mais do que pediu ou esperava.

Existe muita beleza nesse reconhecimento, porque é uma confissão das fragilidades inegáveis do ser humano, que não tem superpoderes nem é autossuficiente. Agradecer é reconhecer tudo isso.

Há quem ateste não ter recebido respostas em tempo. O mesmo Chico Xavier afirma que: “nenhuma prece feita com sinceridade fica sem resposta.” Talvez seja a pressa o maior motivo de desencontro nesses casos, já que o relógio da oração nem sempre cede ao urgir das necessidades postas em avaliação.

Seja com lágrimas, risos ou como esperança derradeira, uma prece é o caminho mais adotado por quem se sente pequeno demais diante de um problema. Reconhecer-se limitado é quase uma virtude. Assim, é recomendado que cada um faça a sua prece, na forma que mais lhe aprouver. Mais importante que a beleza do pedido é a sinceridade dele.

Que não se perca a coragem de erguer a voz, ou o pensamento, e pedir socorro ou benevolência. Há um pensamento que diz: O preço é uma prece… pague pra ver.” Ao que parece, custa pouco tentar.

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Alessandra Piassarollo
Administradora por profissão, decidiu administrar a própria casa e o cuidado com suas duas filhas, frutos de um casamento feliz. Observadora do comportamento alheio, usa a escrita como forma de expressar as interpretações que faz do mundo à sua volta. Mantém acessa a esperança nas pessoas e em dias melhores, sempre!