Não são apenas os nossos filhos os imediatistas, viciados em celular, nós também nos tornamos escravos dele.

Estou na ponta dos pés tentando alcançar um livro na prateleira de cima do armário, mas em vez do livro, acaba por cair sobre a minha cabeça algo mais pesado… Um álbum de fotos!

Pego-o com carinho, afasto com as mãos o pó que o cobre, sento no chão, e com os olhos marejados, começo a folhear o álbum do primeiro aniversário da minha primogênita: que linda!

Que saudade da época em que ela quase sempre respondia às minhas perguntas com um sorriso. Tão diferente da adolescente de hoje que, aos doze anos, responde com monossílabos quando lhe pergunto sobre o seu dia na escola…

As lembranças dos seus cachinhos dourados – os quais eu retinha na memória – tornam-se vívidos diante dos meus olhos. As fotos em minhas mãos descrevem sua alegria. E uma sensação deliciosa toma conta de mim: como é bom poder rememorar o primeiro aniversário do seu filho sem esquadrinhar a tela de uma celular…

Pego um banquinho, subo e consigo encontrar outros álbuns dispostos ao acaso.

Pequenos tesouros, guardiões de momentos que eternizam nossas lembranças, os álbuns me levam rapidamente ao passado, e eu me delicio, alheia a todo o resto, com a visão da Babi em seu batizado, ou fantasiada de “mulher gato”, ou brincando com as amigas no parquinho.

Logo me dou conta de que, excetuadas as fotos que resolvi eternizar em porta-retratos, não há uma única foto – revelada – da minha caçula, a Gigi.

A pequena já está com quase quatro anos. Não tenho tempo e disposição – confesso – para organizar cronologicamente todas as milhares de fotos do meu celular, e escolher as mais lindas e importantes (em se tratando dos nossos filhos, todas as fotos são lindas e importantes, não é?).

Aliás, espera um pouco… Uau, tenho simplesmente 15.677 fotos em meu aparelho neste momento. Juro. Isso porque várias se perderam ou foram excluídas em virtude de troca de aparelho.

A boa notícia é que existem as redes sociais, então sei que muitas das recordações das meninas estão em minhas páginas no Facebook ou no Instagram.

Ufa! Mas e se um dia sumirem dali? Melhor nem pensar…

No final das contas, não são apenas nossos filhos os imediatistas, viciados em celular, que acessam o mundo num simples clicar. Nós também nos tornamos escravos desse cômodo imediatismo.

Podemos acessar tudo e todos ao pesquisar uma palavrinha ou acessar um link… Se pararmos para pensar, quantas pessoas nos parabenizariam na data de aniversário, se não fosse o aviso do Facebook?

Certamente nossos familiares mais próximos. Talvez nem nossos filhos lembrassem…A Babi, por exemplo, está sempre confundindo a data.

Tenho certeza que se safará de situações constrangedoras com a própria mãe no futuro em função do tal aviso de aniversário do Facebook… rsrsrs

Não é à toa, também, que assistimos às apresentações dos nossos filhos na escola por meio da tela do celular.

Tudo tem que ser gravado, fotografado e, claro, postado. Raras vezes meus olhos não alcançaram o palco em que minhas meninas dançavam sem que houvesse uma tela de celular entre nós.

Podemos chamar esses aparelhinhos de mal necessário, mal do século, mas conseguimos viver sem eles?

No passado isso era possível, porém o tempo, as pessoas e as demandas são, definitivamente, outras.

E, sinceramente, para nós mulheres, que somos mães, esposas, filhas, amigas, empregadoras e empregadas, como conciliar tudo e todos sem a ajuda de um celular ou de um computador?

Eu, por exemplo, estudo cinco idiomas, tenho duas filhas, marido, uma cachorrinha, uma casa para gerir, sou escritora e advogada. E ainda decidi fazer uma pós-graduação na Área Jurídica…

Foi inescapável optar por um curso online. Ouço as aulas pelo meu celular enquanto dirijo para o trabalho, ou enquanto estou me maquiando pela manhã, ou seja, padeço do mesmo mal das novas gerações, sedentas por abraçar e conectar o mundo pela tela de um smartphone.

Hoje em dias nossos filhos já nascem participando de uma “selfie” na sala de parto. A chupeta foi substituída pelo tablet.

Os livros também são (quando o são) lidos por meio de dispositivos eletrônicos. Muitas vezes me flagro já deitada para dormir, e lembro que preciso falar algo para a Babi.

O cansaço é tão grande, que suas garras invisíveis me impedem de dar cinco passos até o cômodo mais próximo. Opto, então, por ligar para o celular dela, no quarto ao lado. Outra confissão (praticamente inconfessável) de uma mãe dependente das facilidades eletrônicas.

Daí outro dia apresentei a Alexa (da Amazon) à minha família. Para quem ainda não ouviu falar, Alexa “é uma assistente conversacional, capaz de entender contexto até certo ponto e executar tarefas simples, como configurar alarmes, informar a situação do trânsito ou a previsão do tempo, executar uma lista de músicas ou reproduzir podcasts.”**

Todo mundo adorou a nova integrante da família, e a Babi agora chega da escola, corre até minha secretária virtual e pergunta: “Alexa, qual a previsão para o signo de Sagitário amanhã?”.

Já a Gigi pede: “Mamãe, você não vai perguntar para a Alexa a previsão do tempo?” (faço essa pergunta todos os dias para a minha mais nova assistente).

Na verdade, minha vida está tão corrida, que disponho de pouco tempo para interagir com ela (Alexa). Só falta minha mini robô também ficar carente. Pior que isso, só se eu me sentir culpada de não dar mais atenção à pequena Alexa… rsrsrs

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Marcella Bisetto
Sou advogada, blogueira e escritora. Tenho uma página no Facebook e outra no Instagram, chamadas "Mami aos 43" @mami_aos_43 (fui mãe pela segunda vez aos 43 anos, sem realização de tratamento médico, de forma natural). Além das minhas páginas em Português, tenho outras duas páginas, também no Facebook e no Instagram, chamadas "Una Mamá de Brasil" @una_mama_de_brasil, em que só escrevo em Espanhol. E agora estou divulgando meus textos também via PodCast (histórias envolvendo meu dia a dia de mãe, que podem ser encontradas no Spotify e ITunes, bem como no meu site (www.mamiaos43.com.br).