Meu avô me deixou uma herança eterna de valor inestimável: O exemplo.

Não encheu meus bolsos de dinheiro, mesmo tendo trabalhado a vida inteira no sentido de nos proporcionar segurança, não foi o seu dinheiro quem me fez sentir segura de fato. Pois, durante seus longos 95 anos de vida, em sua passagem por aqui, grande parte deles, mais de 70, foram dedicados ao serviço mediúnico de cura.

Voltado exclusivamente para a caridade, não recebeu um mísero vintém pelo trabalho prestado, porém, recebeu algo de maior valia: A admiração de todos que tiveram o prazer de conhecê-lo.

Ainda criança, toda vez que uma doença me visitava, mesmo um simples resfriado, ou um aparente início de estado febril, era motivo para que ele me visitasse em meu quarto para me oferecer, sem que me forçasse a aceitá-lo, um passe reconfortante.

Ainda quando meus pais eram casados, ele dizia que me visitava em espírito, todas as noites, e em minha consciência infantil, teimava em achar tudo aquilo meio fantasioso, até que da separação dos meus pais, fomos, minha mãe, minha irmã mais velha e eu, morar em sua casa.

Lembro que estava na floração dos meus 11 anos, me descobrindo na pré-adolescência, porém, já me achava sabichona por demais.

Assitia embabacada um movimento constante de pessoas, indo e vindo. Ele recebia visitas constantes, pessoas ávidas por sua ajuda, por um conselho, por uma mensagem que afagasse suas almas suplicantes.

Ele as recebia sempre com muita paciência e amor, e eu me perguntava por que as pessoas acreditavam nele, por que elas confiavam no que ele dizia, e por que, muitas, voltavam continuamente?

Com o tempo, curiosa que só, sem internet e Google naquele tempo, passei a consumir a literatura que era farta e disponível em sua casa, que havia, por forças maiores, se tornado o meu lar.

Uma biblioteca considerável existia em sua casa, todos os livros continham esclarecimentos que traziam à luz a doutrina espírita.

Quando os lia, tudo fazia muito sentido para mim, mas não me sentia a altura de me declarar espírita, e até hoje, ainda não me declaro, visto que não consegui realizar a tão necessária reforma íntima que me fosse posta a vida em retidão como deveria.

Mas convicta da vida eterna, venho há muitos anos bebendo de muitas fontes. Me encontrei na pratica meditativa e de autoconhecimento para tentar vencer muitas das sombras que me consumiam os dias.

De lá pra cá, com o exemplo em casa, não posso dizer que me faltaram conhecimentos sobre vida após a morte, visto que consumi tantos livros de diferentes religiões que nem sei ao certo quantos.

Só sei que hoje, sou fruto dos livros que li e das pessoas que encontrei nessa escola que é a vida.

E sem dúvidas, meu avô, seu Rui Fonseca, está entre as mais importantes.

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Admirado por tantos, respeitados por todos, logo da fundação do Centro Espírita MeiMei em Ribeirão Preto/SP, foi ele ter com os fundadores uma conversa para que ele pudesse começar a trabalhar, não tenho a informação da data precisa, mas foi há muitos anos atrás, pelo que podem perceber.

Naquele tempo, muito preconceito existia com os “médiuns espíritas”, mas meu avô não teve escolha, sua mediunidade era extremamente forte e aflorou aos 24 anos, como ele me relatou diversas vezes.

Ele contava que sofria de uma grave doença na vista, e que temia perder a visão, quando em uma noite, acordou com um barulho em seu quarto, focou a visão, e viu um homem de terno, aparência imponente e respeitável, sentado no canto de sua cama o fitando amorosamente.

Obviamente ele se assustou, mas a paz que o homem transmitia lhe acalmou para que pudesse escutar o que ele teria para lhe dizer.

Segundo ele, o homem lhe disse para procurar uma determinada farmácia que lá estaria o medicamento que o livraria da eminente cegueira, e que a partir disso, a sua visão clarearia de tal maneira, que ele poderia ver além do que uma pessoa normal conseguiria ver.

E o homem desapareceu.

O fato é que, depois disso, meu avô não conseguiu mais dormir até que se desse o horário da abertura da farmácia.

Ele correu para lá assim que pôde, e ao se aproximar, percebeu que um homem saía de lá com um pacote, entrou e pediu ao atendente o medicamento, mas para a sua surpresa, o atendente lhe disse que havia acabado de vender o último frasco para o homem que saíra a pouco.

Meu avô contava sempre essa história. Dizia entusiasmado que ele correu para tentar alcançar o moço, mas não foi preciso, ao sair da farmácia percebeu que o homem estava retornando, e quando viu meu avô desesperado pedindo a ele o frasco, ele disse:

“Retornei porque percebi o engano, estava levando o medicamento errado, estou aqui para devolvê-lo e retirar o certo.

Em uma fração de segundos meu avô se queixou e desacreditou da providencia divina, como que se tratasse de uma brincadeira de mal gosto, mas depois de um tempo, percebeu que foi apenas o primeiro teste de confiança imposto a ele, já naquele momento, para que ele nunca mais duvidasse.

Ele tomou o remédio. E não é que ele se curou? Sim. Essa foi a história do início da sua longa e dedicada jornada no trabalho edificante da mediunidade.

Com medo de que outro homem, ou até aquele mesmo, voltasse a aparecer em seu quarto a noite, ele procurou o único Centro Espírita que existia na cidade naquela época, e logo ao entrar pelo corredor, notou algumas fotos de pessoas que deviam ser importantes, pois estavam lá dispostas naquela parede, mas que ele não conhecia nenhuma, exceto, o tal homem imponente de terno.

Ele não se aguentou de ansiedade e perguntou quem afinal era aquele homem, apontando para o quadro, e um voluntário atencioso que trabalhava naquele Centro lhe disse:

“Esse? É Allan Kardec, o codificador da doutrina Espírita.”

Todas as vezes que meu avô me contava essa história os olhos dele marejavam e eu nunca consegui duvidar dele, visto que não existia nada que o obrigasse a, por 70 anos consecutivos, trabalhar todas as segundas e quartas das 14h às 16h com tanto comprometimento e afinco, a não ser essa verdade que ele carregava.

Quantas e quantas histórias ouvi. Por exemplo:

Uma vez ele chegou em casa e disse:

‘Hoje nos atendimentos tinham tantos médicos desencarnados, de tantas especialidades diferentes que cheguei a chorar de emoção com a quantidade cada vez maior de seres que estão despertando para a ajuda despretensiosa”.

Em minha imaginação, conhecendo o Centro Espirita e lembrando de sua metragem mínima, não conseguia entender como, todos eles caberiam lá.

E ele me explicou:

“Minha filha, é de difícil entendimento, os mundos são ligados, porém, paralelos, e mesmo nosso Centro sendo “aparentemente” pequeno, quando entro lá, o que posso ver é um teatro imenso, com milhares de lugares, e todos lotados”.

Vocês podem imaginar como eu ficava impactada com essas revelações.

E essas histórias me deixavam ainda mais curiosa…

Certa vez adoeci, fiquei uns dias de cama, devia ter uns 13 anos, nós já morávamos em sua casa, como mencionei no inicio do texto, e ele veio com o seu copo de água, colocou do lado da minha cama, se sentou na beirinha, posicionou suas mãos sobre mim e começou a orar.

Quando terminou, ele disse:

“Pode abrir os olhos!”

Ao abrir percebi que ele estava limpando as lágrimas e logo perguntei o que havia acontecido, se eu iria morrer!

Ele riu e disse:

“Não minha filha, hoje não! Estou emocionado pois teve aqui um médico muito iluminado, que daqui uns anos você se interessará em conhecer, mas por ora, basta você saber que ele te quer muito bem para ter se deslocado até aqui por um mero resfriado.

Curiosa perguntei logo quem era esse ser iluminado, mesmo com medo, muito medo da resposta, porque eu tinha medo sim de espírito. Principalmente porque meu avô vivia falando que tinha visto algum, rs.

Ele me disse:

“Veio aqui, se sentou no canto da sua cama, sorriu e me disse que você continuaria o meu trabalho de cura, mas de uma outra maneira, que você irá descobrir quando estiver preparada. Saber disso me emocionou! Quem esteve aqui minha filha, foi o Dr. Bezerra de Menezes, sinta a responsabilidade do amor dessa visita, mas não se envaideça”.

Claro que, sem internet, foi mais difícil descobrir quem era ele, mas recorri a pequena, mas vasta, biblioteca de meu avô e lá, eis que me deparo com a biografia de quem? Do Dr. Bezerra de Menezes.

Devorei o livro e fiquei impressionada.

Anos se passaram e a adolescência me pegou de jeito. Fatos familiares ocorreram e eu me perdi em lamentações e julgamentos.

Aos 17 era um entojo de adolescente, o meu mal humor contaminava o ambiente. Deixei de frequentar o Centro, deixei de ouvir as histórias de meu avô e passei a duvidar dele, duvidar acreditando, sabe como é!

Em estado de sofrimento e sem consciência disso, segui arrastada pelos próximos dois anos e me desvinculei do interesse pelo espiritismo até que uma amiga muito querida encaminhou um e-mail para os mais próximos avisando que acabara de descobrir um câncer linfático que já estava muito avançado em metástase, e que não queria que ninguém a procurasse pois, no momento, ela estava tentando entender tudo aquilo. Ela tinha apenas vinte e poucos anos.

Assim que terminei de ler o e-mail, ainda chocada com a notícia, veio o meu avô em meus pensamentos, nessa ocasião eu já estava na faculdade de jornalismo e morando sozinha em um apartamento próximo a casa dele.

Resolvi então, mesmo a contragosto da amiga, responder o e-mail pedindo para que ela procurasse o meu avô, mesmo que ela não acreditasse nele. (Ora, eu também não tinha mais aquela certeza cega de criança, mas, “não custa tentar”, pensei.)

Para a minha surpresa, ela aceitou, e foi ter com ele o seu primeiro contato.

Assim que saiu do encontro, me mandou outro e-mail dizendo que nunca havia se sentido tão bem e que continuaria o tratamento com ele.

Eu fiquei muito feliz em saber, mas parecia que aquilo tudo também era uma forma de voltar a acreditar piamente no trabalho que o Seu Rui Fonseca fazia de forma tão abnegada.

Alguns meses se passaram e não lembro ao certo quantos, mas o fato é que essa amiga foi realizar mais um exame, e o médico simplesmente não soube explicar o que havia acontecido, ela estava curada.

Ela ainda continuou o tratamento com o meu avô por mais um ano, se não me engano, mas esse caso bastou para mim. Ela mesma me confidenciou que a cura não é um ato milagroso do médium, é um trabalho em conjunto, entre o doente, a doença e a espiritualidade, que envolve profunda reforma íntima, que a cada sessão de passe vai ficando mais intensa, alcançando arquivos profundos do inconsciente, e varrendo sombras ocultas que são trazidas à luz amorosamente.

Nunca mais ousei duvidar, porém, apenas não duvidar não foi o suficiente. Eu precisava seguir o seu exemplo.

Foi preciso ter convicção e muito amor. E eu percebi isso a duras penas, nos altos e baixos da vida, comprando experiências caras que me trouxeram até aqui, e fizeram de mim o que sou.

A DESPEDIDA

Meu avô faleceu aos 95 anos, mas até alguns meses antes de sua partida, trabalhava religiosamente duas vezes por semana no Centro Espírita MeiMei, e ainda era conselheiro de quem precisasse e o procurasse.

Nunca negou uma ajuda, o telefone tocava sempre, e até durante as refeições, ele nunca dizia que não podia atender, e não queria parar de trabalhar, mas o físico já mostrava desgaste avançado.

Nunca vou esquecer o dia em que ele se sentiu mal e foi para o hospital, e de lá não voltou.

Eu já não morava com ele, mas costumava almoçar lá algumas vezes na semana, nesse dia, enquanto almoçávamos, ele disse:

“Não estou conseguindo comer, tenho uma sensação de que já estou satisfeito”. (Ele comia pratos enormes, e nesse dia, tinha posto apenas um pouco no prato).

Achei estranho, mas falei que não havia de ser nada. Logo mudei de assunto e lhe contei que estava namorando, e queria apresentar a pessoa para ele.

Mesmo já se despedindo da vida material, e se colocando a serviço da vida eterna que aconteceria nas próximas horas, ele conseguiu me alertar para um desafio que eu enfrentaria nesse relacionamento. Como ele sabia? Talvez, Dr. Bezerra de Menezes contou a ele, não sei.

O fato é que realmente, o que ele disse aconteceu, e eu tive que ter muita maturidade para lidar com a situação, que ainda hoje norteia nosso relacionamento, de forma mais branda, mas que sempre estará entre nós.

Todas essas comprovações de sua luz me fez procurá-lo esse ano, depois de alguns anos do seu desencarne.

Queria saber dele se eu estava no caminho certo.

Queria mais um conselho daqueles.

Diferente das pessoas que buscam uma carta psicografada, que querem saber notícias dos entes queridos, saber se estão bem e tal, eu já tinha uma certeza em meu interior que ele estava mais que bem.

Membros da diretoria do Centro MeiMei já haviam nos dado notícias dele, que ele estava trabalhando, não como o condutor como era aqui, mas como aquele que, acompanha e contribui com os trabalhos de cura no plano extrafísico.

Não me admirou saber disso porque ele não deixaria de trabalhar, visto que não queria parar nem aos 95 anos, imagina refeito em sua energia e livre do corpo material debilitado?

Mas foi só esse ano que pela primeira vez fui pessoalmente ter com ele novamente um papo honesto. Fui até o Centro Espírita Anjo Ismael na intenção de receber dele uma carta psicografada, e para a minha surpresa, na primeira tentativa, lá estava ele para me dar um abraço.

Contei toda essa história apenas para contextualizar essa carta que ele escreveu para mim, onde alem de muito amor e bondade no aconselhamento, ainda me pediu que falasse a todos “que a vida é eterna”.

Sim. Ele sabe exatamente o trabalho que eu venho desempenhando e o alcance que esse trabalho tem. Por isso me pediu isso!

Segue então, a carta amorosa de meu avô Senho Rui Fonseca, na íntegra, que serviu como uma luz para mim, e com certeza, servirá para todos vocês:

“DIGA A TODOS QUE A VIDA É ETERNA”

Por Rui Fonseca

“Querida filhinha, que por amor a esse velho, vem para sentir o meu abraço!

O que falar da importância da lembrança, isso nos faz ser melhor, nos faz sentir melhor o que o amor fala ao espírito.

Nos fala do companheirismo e da certeza que estamos sobrevivendo às inspirações da vida.

Minha querida Iara, diga a todos e aos seus pares que a vida é eterna!

Somos presentes enquanto não visíveis também!

Parece que, na verdade, estamos rodeados por uma legião de irmãos desencarnados, bons e, não tão bons, amigos e, não tão amigos, que gostam de nós ou, não são tão simpáticos.

O fato filha é que precisamos aprender a nos vigiar, e perceber como temos nos portado enquanto não estão nos vendo.

Veja, se entendermos que sempre teremos alguém do nosso lado, não mais poderemos pensar que basta estar sozinho para fazer o que queremos.

Por isso, aprendemos por aqui, que precisamos fazer tudo com amor.

Uma vez que, tudo é feito com amor, o bem será o ponto principal, que nos moverá, a isto ou àquilo.

Minha amada Iara, falamos isso, para perceber o quanto deixamos de cumprir com as nossas responsabilidades por achar que bastava ninguém estar vendo a gente!

Por tanto, após o desencarne, filha, não se esqueça:

Somos sempre vigiados por muitos, começando, por nós mesmos!

Fique com Deus!” Rui Fonseca

Que lindo exemplo de vida ele foi para mim! O seu exemplo me guiou para que eu pudesse vencer as minhas sombras!

Eu recebi esse abraço com muito amor, mas também como um puxão de orelha carinhoso, como uma chamada de atenção para que eu que sempre faça tudo com amor, para que eu vigie mais os meus pensamentos, principalmente nos momentos em que eu penso estar completamente sozinha, ao passo que, pelo que ele informou, nunca estamos.

Vigiai e orai!

É o ponto forte para mim desse texto escrito com muita beleza por ele!

Que estejamos sempre atentos aos nosso pensamentos mais íntimos, e à frequência emocional que estamos continuamente acessando!Dependendo de qual frequência escolhermos acessar, nos manteremos firmes no propósito da vida eterna, ou cairemos em completo estado de sofrimento!

A escolha é sempre nossa!

Façamos a escolha certa!

Gratidão meu avô por ser um exemplo tão bonito para mim, e por me fazer lembrar sempre que a vida é eterna!

Exemplo melhor eu não poderia ter tido!

Você foi meu exemplo de dedicação!

Meu exemplo de amor!

Meu exemplo de fé!

E meu exemplo de comprometimento…

Que possamos nos despir dessa mania de nos vitimizar. Que possamos nos despedir da maneira negativa de pensar.

Que possamos abandonar o vício de julgar. E passamos a nos abrir para o amor incondicional para sermos melhores!

Que essa vontade nos acompanhe pela vida eterna!

Que seja eterna também a nossa intenção em fazer o bem!

Precisamos sempre visitar a memória e lembrar do exemplo que nos foi passado, e que ficou.

Só aquele exemplo que foi bom!

Só aquele que é tão forte que se tornou contagioso!

Um bom exemplo é tão poderoso, que permanece vivo, de geração para geração!

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Iara Fonseca
Jornalista, poeta, palestrante, produtora e editora de conteúdo do Resiliência Humana e do Seu Amigo Guru. Seu interior é intenso, sempre foi! Transforma suas angustias em textos que ajudam muito mais a ela própria do que a quem lê. As vezes se pega relendo seus textos para tentar colocar em prática aquilo que, ela mesma, sabe que é difícil. Acredita que viemos aqui para aprender a ser, a cada dia, um pouco melhores, para nós, e para o outro!