A infância é uma época feliz. Ou pelo menos pensamos assim. Mas a verdade é que as crianças também têm problemas, conflitos, medos e inseguranças que os adultos muitas vezes subestimam ou até ignoram por considerarem que não são importantes.

Um estudo conduzido na Universidade da Califórnia revelou que os pais muitas vezes têm uma visão irreal e excessivamente otimista da vida emocional de seus filhos.

Esses pesquisadores descobriram que os pais de crianças entre 4 e 11 anos tendem a subestimar as preocupações e a ansiedade da infância, exagerando o otimismo em relação aos filhos. “O descompasso entre as percepções de pais e filhos gera uma bandeira vermelha”, concluíram os pesquisadores.

E não é à toa. O problema é que às vezes essa desconexão tem um preço muito alto.

No ano passado, por exemplo, 14 crianças com menos de 15 anos se suicidaram na Espanha. Os transtornos de ansiedade e depressão em crianças também dispararam, mostrando que os mais novos não estão imunes à incerteza e à tensão em que vivemos desde o início da pandemia. Neste contexto, a Psicologia da Criança e do Adolescente assume um papel central, pois permite acompanhar, diagnosticar e tratar os problemas da criança antes que se agravem.

Os primeiros anos de vida nos marcam – para melhor ou para pior

“Dê-me uma dezena de filhos saudáveis ​​e bem formados e meu mundo específico para criá-los, e prometo pegar qualquer um deles ao acaso e treiná-los para se tornarem qualquer tipo de especialista: médico, advogado, artista, comerciante e até mendigo. ou ladrão” , escreveu o psicólogo comportamental JB Watson em 1930.

Embora suas palavras pareçam categóricas, a verdade é que grandes psicólogos com abordagens muito diferentes, como Freud, Piaget ou Vigostky, concordam com Watson: os primeiros anos são essenciais para a formação da personalidade e muitas vezes marcam nossas vidas para sempre.

Se durante esses anos as crianças sofrem situações de bullying, são expostas a eventos traumáticos ou desenvolvem um distúrbio psicológico, como TDAH, depressão ou ansiedade infantil, os rótulos que colocamos sobre elas podem acompanhá-las por toda a vida e até mesmo se tornar um limite que as impede de desenvolver o seu potencial.

Na verdade, os principais problemas enfrentados por crianças e adolescentes que sofrem de transtornos mentais costumam ser o estigma, a exclusão social, o abuso e os estereótipos. Freqüentemente, eles precisam não apenas enfrentar os desafios impostos pela doença mental e emocional, mas também lidar com a incompreensão e a ignorância das pessoas ao seu redor.

Crescer nesse contexto pode acabar gerando mais limitações emocionais do que o próprio transtorno psicológico. Por isso, é fundamental começar a celebrar as diferenças, ao invés de se sentir ameaçado ou amedrontado por elas.

É essencial prestar mais atenção aos problemas da infância. Ouça as crianças. Observe-os. Diga a eles que aconteça o que acontecer, eles podem contar com você.

Aconteça o que acontecer, continuaremos a amá-los. Mas também é fundamental buscar ajuda. Porque muitas vezes o amor e as boas intenções não são suficientes para resolver certos problemas de saúde mental.

A psicoeducação familiar facilita a aceitação e a mudança

A psicoeducação é uma ferramenta muito valiosa para ajudar crianças e adolescentes, assim como suas famílias, a compreender a natureza do problema psicológico. Fornece as ferramentas para que as crianças e seus pais gerenciem melhor as situações do dia a dia, promovendo autonomia, empoderamento, integração social e equilíbrio familiar.

Na verdade, um estudo realizado na Universidade de Barcelona descobriu que as intervenções psicoeducacionais são particularmente eficazes durante os estágios iniciais da doença mental e emocional, quando os sintomas ainda são leves. Nesses casos, a taxa de remissão é maior e a qualidade de vida melhora.

Uma meta-análise conduzida na Universidade de Tianjin também concluiu que “a psicoeducação breve reduz as recaídas a médio prazo e promove o cumprimento da medicação a curto prazo.” Portanto, apenas 10 sessões poderiam ser suficientes para promover a mudança necessária na criança e em seu ambiente familiar.

A psicoeducação familiar oferece três grandes vantagens que todos devemos conhecer:

1. Permite conhecer melhor o problema psicológico básico

Explicar às crianças ou adolescentes, bem como às suas famílias, as causas e os efeitos da perturbação psicológica permite-lhes compreender melhor o que estão a vivenciar. A intervenção psicoeducacional fornece uma explicação do que está acontecendo com eles, de uma forma que os ajuda a dar coerência e significado às suas experiências, fornecendo respostas a muitas de suas perguntas.

Na verdade, para muitas famílias, ter um diagnóstico pode ser libertador, pois permite compreender experiências que até então não faziam sentido e que afetavam o emocional da criança. Portanto, um dos principais objetivos das intervenções psicoeducacionais é ajudar as famílias a compreender o mecanismo do transtorno psicológico para promover comportamentos mais adaptativos e limitar os danos. As crianças e seus pais aprendem a identificar os sinais de alerta para agir antes que seja tarde demais.

2. Desenvolva uma atitude mais positiva em relação ao problema psicológico

Para algumas famílias, o diagnóstico é libertador. Não para outros. Alguns pais podem se preocupar muito ou até mesmo ficar apavorados. Outros podem cair em estereótipos sobre doenças mentais. São reações normais. Porém, por meio da psicoeducação familiar eles poderão entender melhor o que está acontecendo, mudar crenças disfuncionais e desenvolver uma percepção mais objetiva e positiva da doença.

A psicoeducação proporciona um espaço seguro de contenção para crianças ou adolescentes e seus pais expressarem suas apreensões, medos e inseguranças, o que costuma diminuir o superenvolvimento emocional, o hipercriticalismo, a culpa e a hostilidade, favorecendo o acompanhamento e melhorando o clima familiar. Esse tipo de intervenção permite que as expectativas sejam ajustadas e oferece confiança aos pais e filhos para melhor enfrentamento do problema.

3. Melhora a qualidade de vida e o bem-estar

Intervenções psicoeducacionais tendem a melhorar a adesão. Os pais entendem a importância de seguir o tratamento, por isso logo começam a perceber uma melhora no comportamento da criança ou adolescente e sua qualidade de vida aumenta, assim como de todos os componentes do núcleo familiar.

A psicoeducação familiar também fornece diretrizes claras para a ação, o que reduz o estresse e aumenta a autoeficácia no trabalho emocional. Geralmente reduz a sensação de incapacidade e permite um planejamento para o futuro, o que diminui a ansiedade e cria um ambiente mais pró-ativo para toda a família.

As intervenções psicoeducacionais familiares também promovem a liberação emocional da angústia, do medo e do desconforto, de forma a evitar o esforço excessivo ou a superproteção. Por ter o espaço necessário, o desempenho funcional da criança ou adolescente tende a melhorar, junto com seu bem-estar e equilíbrio psicológico.

Por fim, vale esclarecer que as intervenções psicoeducacionais costumam estar nas mãos de um psicólogo. No entanto, outros profissionais com formação em Psicologia, como os educadores que frequentam programas de intervenção educativa como os da Red Educa, também podem adquirir os conhecimentos e as competências necessárias para detectar, orientar e apoiar as crianças com problemas psicológicos e as suas famílias.

Fontes:

Godoy, D. et. Al. (2020) Psicoeducação em saúde mental: uma ferramenta para pacientes e familiares. Las Condes Clinical Medical Journal; 31 (2): 169-173.

Zhao, S. et. Al. (2015) Psicoeducação (breve) para pessoas com doenças mentais graves (Revisão) Cochrane Database Syst Rev; (4): CD010823.

Casañas, R. et. Al. (2014) Eficácia de um programa de grupo psicoeducacional para depressão maior na atenção primária: ensaio clínico randomizado controlado Rev. Asoc. Esp. Neuropsiq; 34 (121): 145-146.

Lagattuta, KH et. Al. (2012) Você sabe como me sinto? Os pais subestimam a preocupação e superestimam o otimismo em comparação com o auto-relato da criança. J Exp Child Psychol; 113 (2): 211-32.

*DA REDAÇÃO SAG. Publicado originalmente em RT.

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