Muita gente se sabota, se culpa e se machuca como se não tivesse direito a felicidade!

Eu estava pensando – coisa que faço muito – e comecei a refletir sobre a forma como nos enxergamos. Sobre a leveza de que nos esquecemos quando olhamos para nós mesmos. Sobre o tanto que a gente se culpa e se machuca e sabota a felicidade, como se não tivéssemos o direito DE SER FELIZ. Porque é assim que se dá com muitas pessoas, infelizmente.

Por que é tão difícil, a muitos, conseguir se olhar com candura e admiração?

Por que, para muitos, é doloroso se olhar no espelho, sem precisar se comparar com outras pessoas, sem precisar ver estampados na testa os erros, as falhas, o que passou e foi doloroso?

Eu não entendo por quais razões as pessoas costumam se prender ao que não deu certo, enquanto vai esquecendo as conquistas e tudo o que foi bom.

Sempre penso que muito disso se deve ao fato de que há muitas cenas e fotos de felicidade excessiva, de sorrisos forçados, de corpos esculturais, por tudo quanto é lado.

À nossa volta, abundam mensagens de autoajuda, de proatividade, de vibes positivas.

Imperativos positivos nos assombram: “sorria, agradeça, exercite-se, jejue, corra, vai ser feliz, vai passar”.

Toda essa áurea gratiluz pode acabar sendo tóxica. Mas a gente não é assim, a gente é de carne e osso.

Todos sofremos, temos inseguranças, levamos porradas da vida, tombos. Todos temos, às vezes, vontade de chorar, de xingar, de gritar, de sumir.

Tem dias em que não queremos espelho, conselhos, piadas, abraços, consolo.

Tem horas em que não queremos ver nem ouvir ninguém. E está tudo bem, caso seja passageiro e não fiquemos estagnados na escuridão.

Eu só sei que as pessoas precisam entender que a vida é luz e escuridão, a vida são faces de uma moeda. Nem sempre será cara, nem sempre será coroa.

Eu queria que as pessoas conseguissem enxergar a própria grandeza, sem precisar recorrer a pílulas, a fugas ilusórias, sem se machucar em relacionamentos falidos.

Eu queria que as pessoas soubessem o quanto elas importam, merecem, o quanto são únicas e especiais. E isso é tudo.

*DA REDAÇÃO SAG. Foto de Noah Buscher no Unsplash

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Graduado em Letras e Mestre em "História, Filosofia e Educação" pela Unicamp/SP, atua como Supervisor de Ensino e como Professor Universitário e de Educação Básica. É apaixonado por leituras, filmes, músicas, chocolate e pela família.