Tantos julgamentos fiz minha mãe, me perdoe a ingratidão com que venho tratando a nossa relação desde a adolescência! Percebi só há pouco, me desculpe o tempo que levou, que quando os julgamentos morrem, o amor renasce forte e verdadeiro!

Quanto tempo levei para entender que você é um ser humano, parece óbvio, mas para os filhos é tão difícil entender isso, que você está longe de ser perfeita, como todos nós! Que você também tem o direito de errar, mesmo querendo acertar, como eu, como qualquer ser vivo.

Imagina a minha cara mãezinha, quando eu entendi isso de verdade, uma coisa tão simples, mas que inconscientemente travamos anos em conflitos, embebidos em nossa arrogância e petulância em acreditar que somos melhores do que aquele que nos deu a vida.

Aprendi que, por acreditar que eu faria melhor do que você, passei anos criando muros entre nós.

Por julgar a sua maneira entender a vida, ou a sua postura frente ao que eu queria dela, passei a tentar “apagar”, inconscientemente, as grandes lições que me deu, os lindos exemplos de fé e coragem, os seus incríveis talentos, que fazem de mim um espelho das suas melhores qualidades.

Esse “apagar”, eu não sabia, mas era o fruto da inversão de papeis que eu vinha há anos relativizando em minha vida, e que me levou a um profundo estado de sofrimento. Eu não queria aceitar ser culpa e responsabilidade exclusivamente minha, por isso, culpei você, para me eximir da culpa.

Tenta imaginar a minha cara mãe, quando cai do andar mais alto onde me coloquei, e estatelada no chão, me vi ferida, sem ninguém por perto, olhei para o céu e chorei, como se acabasse de ter nascido de seu ventre para uma nova vida!

Minha mãe, quanto amor eu senti nesse dia!

No dia que entendi que eu sempre estive em dívida com você, uma dívida que nunca conseguirei pagar, porque nada pode ser mais valioso que a vida.

Quando percebi que não há o que ser perdoado, por esse simples e tão grandioso motivo: Se estou aqui, devo isso a você!

Quando percebi que sempre me coloquei na posição de juiz, que sempre julguei seus atos como se melhor eu fosse, me senti tão pequena diante de ti, envergonhada, porque enfim, percebi o quão injusta fui.

Minha mãe, sei que errei demais com você, me desculpe os anos de ingratidão, eu te devo algo que é impossível pagar: A minha vida!

Só há pouco pude cessar os julgamentos e entender que nunca poderei pagar os seus anos de dedicação, suas horas sem dormir, sua paciência, e sobretudo, o mais importante e impagável, a minha vida!

Posto isso, e sabendo que você não espera pagamento nenhum, venho apenas te pedir que me perdoe! Porque esse instante eu nasci de novo, e aprendi que quando morrem os julgamentos, o amor nasce puro e cristalino dentro da gente!

Matei todos eles, um a um, e como se limpasse minhas lentes, pude enxergar nitidamente, as suas qualidades, as mesmas que brilham em mim também.

A sua sensibilidade e disposição em fazer o bem!

O seu talento para as artes, e gosto pela leitura!

O seu comprometimento e responsabilidade nas tarefas, mesmo com dificuldades, não desiste e segue em frente!

A sua beleza, externa e interna!

A sua capacidade e disposição em aconselhar quem precisa de uma palavra!

A sua intenção para o bem!

A sua persistência e determinação diárias na reforma íntima!

A sua ânsia pelo conhecimento, e pelo esclarecimento espiritual. Em tempo algum parou de estudar e se aperfeiçoar.

Tem muito mais coisas em você que admiro e que enxergo em mim, ou melhor, as melhores coisas que tenho para falar de mim veio de você, e do meu pai, e hoje consigo reconhecer todas elas e amar vocês como vocês são.

Me perdoe minha mãe!

O mesmo pedido estendo ao meu pai, visto que o julgamento que fiz, foi impiedoso e destinado aos dois, de maneiras diferentes.

Entendi que esse julgamento severo e austero, travou todos os setores da minha vida, e finalmente, passei a colocar você no lugar que você merece! Como grande, que você é! E me colocar no meu lugar de pequena aprendiz!

Quando penso que te fiz sofrer com tantas frases e palavras duras que já proferi, não existem justificativas, mesmo que a minha arrogância ainda tente justificar.

Aprendi também que quando justificamos nossos erros, e apontamos o que o outro fez para que fizéssemos o que fizemos, voltamos a repetir os mesmos atos, justamente porque eles foram justificados por nós.

Quando entendi isso decidi parar de justificar as minhas reações em relação a você, como mágica, meu coração começou a entender que não se tratava e nunca se tratou “do quê nos fizeram”, mas sim, “da forma como reagimos”. Que a nossa reação é capaz de alimentar a mágoa, ou de despertar o amor e a reconciliação, em todos os campos da vida.

Nesse dia de homenagens merecidas, mãezinha, peço apenas que me perdoe a adolescência estendida.

E que me desculpe por golpeá-la tantas vezes com as minhas próprias sombras.

Penso que consegui dissipar várias delas, mas ainda sinto que existe um longo caminho pela frente, por tanto, me perdoe mãezinha!

Obrigada por suportar o distanciamento que impus por tanto tempo, por entender o meu processo de cura, por não forçar nada além de um “oi, como você está?”.

Eu sei que foi difícil também para você, mas foi igualmente difícil e extremamente necessário para mim!

O amor que sinto hoje por você é o mesmo que senti quando olhei pela primeira vez nos seus olhos! Quando berrei para a vida que eu estava aqui!

Sinto intensamente todas as vezes que estive segura em seu colo, e a alegria de quando você me soltou para a vida, de quando chegou a hora de seguir porque eu já estava pronta para isso!

Hoje eu te amo infinitamente, assim como você é!

Obrigada por tudo!

Entendo agora quão leviano é o julgar.

Quantas mães sofrem com os julgamentos dos filhos e quantos filhos sofrem com os julgamentos dos pais!

Nesse vai e vem de julgo inapropriado e indevido, o amor vai morrendo, pouco a pouco.

É preciso que cessem os julgamentos para que o amor renasça incondicional como sempre deveria ter sido.

Hoje, respeito as suas marcas do tempo, as suas dores e as suas experiências, como também respeito os meus primeiros vincos, meus ainda poucos cabelos brancos, e as minhas próprias dores.

Prometo que não mais carregarei as mesmas bagagens do passado, pois o único julgamento que eu já deveria ter feito há muitos anos, e que me ajudou a superar quase tudo o que me limitava, foi o julgamento honesto que fiz das minhas próprias ações!

Obrigada mãezinha por esperar todo esse tempo para ler essas minhas palavras de gratidão.

Sei que não esperava por isso, e talvez até já tivesse aceitado o meu jeito ingrato de ser, mas foi a sua fé que me guiou até aqui, e foi ela também que me fez melhor, muito melhor, do que eu já fui um dia!

Te amo!

Tantos julgamentos fiz minha mãe!

Mas agora, tenho que aprender a aceitar o tempo que levou para que eu percebesse que o amor só nasce verdadeiramente em nós quando os julgamentos morrem!

Hoje sinto esse amor jorrando em mim! Eu te amo!

*Esse texto escrevo também em agradecimento ao Dr. Décio Fábio Jr. do @inteligencia_sistemica que me abriu os olhos e vem me ensinando a me colocar no meu lugar.

Sinto uma profunda Gratidão por você Dr. Décio!

À quem interessar: Assistam as lives no @resiliencia_humana com o Dr. Décio e com o terapeuta tranpessoal @rhamuche às 19h no Instagram.

VOCÊ JÁ VISITOU O INSTAGRAM E O FACEBOOK DO SEU AMIGO GURU?

CONSELHOS INSPIRADORES TODOS OS DIAS PARA UMA VIDA PLENA E FELIZ!

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS



COMENTÁRIOS




Iara Fonseca
Jornalista, poeta, palestrante, produtora e editora de conteúdo do Resiliência Humana e do Seu Amigo Guru. Seu interior é intenso, sempre foi! Transforma suas angustias em textos que ajudam muito mais a ela própria do que a quem lê. As vezes se pega relendo seus textos para tentar colocar em prática aquilo que, ela mesma, sabe que é difícil. Acredita que viemos aqui para aprender a ser, a cada dia, um pouco melhores, para nós, e para o outro!