Um filme que descortina vários problemas emocionais, que desencadeiam transtornos mentais, e que trazem com eles grandes lições! Como a que disse o personagem Pat (Bradley Cooper): “Se quisermos, tudo é possível! Mas estamos sempre nesse estado de negativismo e esse é o maior de todos os venenos”.

Ele manifestou essa ideia em uma reunião enquanto estava internado em uma clínica psiquiátrica. Um personagem forte que frequentemente demonstra sabedoria mesmo diante de suas fragilidades emocionais.

O filme “O lado bom da vida” revela a difícil adaptação das pessoas que não conseguem se enquadrar as normas sociais por serem, agirem e pensarem diferente da maioria!

Aquelas que são diagnosticadas com “problemas” mentais, que na verdade, são problemas emocionais, que afetam e perturbam profundamente as suas mentes!

E por não se comportarem como a “maioria” avaliam ser “normal”, por não conseguirem lidar com as suas próprias emoções, são levados a internações em clínicas de atendimento psiquiátrico intensivo! Também quando são considerados um risco a sociedade ou a si mesmos!

Intenso e verdadeiro, “O lado bom da vida” é um filme de David O. Russell e um elenco incrível. Com Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Robert De Niro e Jacki Weaver.

Robert De Niro, Bradley Cooper vivem pai e filho!

A história nos mostra como os comportamentos de pai/mãe podem afetar as nossas emoções a ponto de nos atormentar mentalmente.

De Niro interpreta um papel difícil! Um homem com varias superstições inexplicáveis, fruto de um transtorno mental que para a “maioria” das pessoas é aceitável! As suas “manias” não são consideradas tão perturbadoras quanto, o comportamento do seu filho, Pat Solitano Jr.

Sua esposa e mãe de Pat, interpretada por Jacki Weaver, é uma mulher vazia, superficial, que não sabe lidar com nenhuma das situações, nem com o drama do filho, nem com os descompassos do pai. Ela é a típica esposa que só quer agradar e acaba atrapalhando. As suas frustrações e a de todos os personagens são tão grandes que a cada história contada, a frustração se intensifica!

O melhor amigo e único que o ajuda é o estilo “normal” que a sociedade aceita! Ele tem a vida que a mídia vende como sendo a melhor, a ideal. A vida que o pai e a mãe de Pat gostariam que ele tivesse!

E essa pressão sobre ele parece ter iniciado na infância!

Todos acreditam que o Pat(Bradley Cooper) está doente, mas o filme mostra aos poucos que todos os personagens estão! Só que o caso do Pat e de outros tantos “Pats” reais, são encarados de forma diferente!

E os remédios entram em ação!

A causa da internação foi um descontrole que ele teve ao ver sua esposa o traindo! Ele a amava muito e não conseguiu lidar com as suas emoções, explodiu, causou danos e foi internado!

Pat, por sua vez, aprendeu enquanto estava internado que deveria ver as coisas pelo lado positivo e que sempre precisava se agarrar a um fio de esperança que seja. E no decorrer do filme ele se agarra nesse ideal de positividade mesmo quando tudo parece bem negativo. Ele acredita que poderá reconquistar a esposa. Mesmo tudo indicando que não seria possível.

Mas é perceptível, mesmo depois da alta hospitalar, que Pat ainda não havia superado suas questões emocionais e carregava ainda várias obsessões. Ele se vê obcecado em emagrecer, por exemplo, porque sua ex-mulher dizia que ele estava gordo, não consegue ouvir a música que tocou em seu casamento que se descontrola e fica agressivo.

E no desenrolar do filme percebemos que o grande problema do Pat é a falta de perdão! Ele não se perdoa, possui dificuldade de perdoar os outros, e essa falta de perdão ativa emoções primitivas dentro dele, que faz ele reagir com agressividade e explosão quando alguma situação desperta as suas memórias de dor.

A falta de perdão leva a um descontrole movido pela raiva!

A raiva vivenciada por anos a fio revela uma insatisfação cruciante com a própria vida o que denota uma completa falta de aceitação dos erros alheios e um martírio interno!

A falta de perdão gerou nele uma perturbação crônica! E a falta de aceitação gerou um mal estar generalizado!

Essa falta de perdão e aceitação, essa idealização e vontade de que os pais e aqueles que vivem com ele sejam perfeitos, faz com que essas pessoas como Pat possuam fortes dificuldades de conviver com o que, ou quem, elas considerem erradas!

Mesmo sem aceitarem a terapia, essas pessoas, conseguem percebem os benefícios dela, quando são “forcadas” a visitarem um profissional, ou por determinação da justiça, ou de familiares!

O personagem do De Niro se culpa por ter um filho “problemático”. EM um dado momento ele confessa que não se perdoa por ter dado mais atenção para o filho mais velho, que é um sujeitinho que fez tudo certo e que gosta de jogar na cara do irmão que ele se deu bem, o subjugando todas as vezes que se encontram.

Robert de Niro é viciado em jogo, principalmente, Futebol Americano, e acredita “loucamente” que o filho mais novo Pat é o seu amuleto de sorte!

Desde a infância Pat é obrigado a assistir os jogos com o pai segurando um lenço, e até então, mesmo adulto, o pai ainda o perturba com essa obsessão!

© 2011 THE WEINSTEIN COMPANY

É possível perceber a mensagem que o filme quer passar, questionando essas obsessões que são consideradas normais e mostrando como elas podem afetar uma família.

O filme sugere que quando aceitamos certos padrões de comportamentos sem questionar, ou quando somos impostos a isso desde a infância podemos desenvolver alguns traumas que podem reverberar em problemas mentais. Mas quando começamos o processo de perdão, os nossos olhos automaticamente se voltam para o lado bom da vida, e iniciamos um processo de cura!

Quando perdoamos de verdade começamos a ter gratidão por todo os processos que vivemos, mesmo os que causaram dor, e por todas as pessoas que fizeram parte deles!

Mostra como a sociedade muitas vezes doentia tolera comportamentos igualmente doentios! Uma cena exemplifica bem isso. Quando os personagens vão assistir uma final de futebol no estádio, e mostra a forma que as pessoas se comportam, principalmente os homens, nesses momentos de rivalidade!

O descontrole emocional, as crenças irreais, as certezas que carregamos… despertam curiosamente em cada personagem! E todos são diversos em suas “loucuras”! E essas “loucuras” individuais são capazes de enlouquecer os outros!

A vida de Pat começa a mudar quando ele conhece Tiffany (Jennifer Lawrence), uma mulher também problemática que provoca mudanças significativas em seus planos futuros através da dança.

O filme ensina também que quando estamos encapsulados dentro da nossa própria loucura, não conseguimos enxergar as coisas boas da vida!

Mas quando aprendemos a lidar com as nossas emoções, quando desenvolvemos a inteligência emocional, as nuvens se dissipam e as belezas se revelam!

Assistam O lado bom da vida” um fiozinho se esperança e positividade em um mundo de atormentados!

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Iara Fonseca
Jornalista, poeta, educadora social, fundadora e editora de conteúdo do Rede de Ideias: PRODUÇÃO DE CONTEÚDO. Seu interior é intenso, sempre foi, transforma suas angustias em textos que ajudam muito mais a ela própria do que a quem lê. As vezes se pega relendo seus textos para tentar colocar em prática aquilo que, ela mesma, sabe que é difícil. Acredita que viemos aqui para aprender a ser, a cada dia, um pouco melhor, para si mesmo, e para o outro!