Eu gritei: eu sou livre! Daí pensei alto…. Será que eu sou mesmo? Era a minha vontade obsessiva por viajar que me dominava mais uma vez…

Sempre fui assim, ou desde que me vi como gente, depois dos 17 anos…. Porque antes eu era “um mal humor ambulante adolescente” e uma criança adulta demais.

Enfim, descobri depois… que após ser “considerada adulta” desenvolvi uma síndrome, que explica a minha vontade obsessiva por viajar.

As pessoas que vivem com a chamada Síndrome de Wanderlust buscam a sensação de liberdade e possuem uma “necessidade” incontrolável de conhecer novos lugares, descobrir outras culturas e viver como descobridores… Não precisa de luxo, não existe exigências, apenas viajar… e basta.

… Diferente dos vikings medievais, “nós”, portadores da síndrome, não pensamos em dominar e tomar as terras dos outros, muito menos queremos derramar sangue e conquistar poder e fama, mas é certo que temos correndo forte dentro de nós o sangue daqueles que viviam explorando e que foram responsáveis pelas demarcações de terras pelo mundo a fora…. Agora, nesse momento, só queremos conhecer todos os cantos e usufruir com paz e amor à vida.

Mas é certo também que aqueles que possuem a síndrome possuem um sentimento em comum: querem viajar pelo mundo mais do que qualquer outra coisa.

Está na essência de cada um a vontade enraizada de conhecer novos lugares e não conseguem ficar confortáveis em um lugar estável.

Quem sente isso na pele e não pode sair por aí viajando, vive planejando e economizando para a próxima viagem e dizem que quanto mais alimentar esse monstro, mais ele vai crescer até te dominar por completo….

Alguns se lançam pelo mundo logo jovens, outros quando a aposentadoria chega, e se por algum motivo do destino não conseguirem ir, morrem amargurados e frustrados.

Wanderlust é uma palavra que vem do alemão medieval, mas os alemães não a utilizam mais na língua moderna, encontraram um sinônimo exato, fernweh. Desde o início do século XX, o termo vem sendo usado na língua inglesa e com o mesmo significado.

Vem de Wandern, que corresponde a caminhar, viajar, fazer trilha e Lust, que em algumas fontes vi como luxúria e também como uma vontade profunda.

Sim… eu tenho “uma vontade profunda de viajar”.

Descubra se você convive com a Síndrome de Wanderlust, como eu, respondendo essas 6 afirmações com SIM ou NÃO. Se acontecer de você responder SIM a mais de 3 afirmações, você é um de nós:

1. Você não escolhe o lugar, o lugar é que te escolhe;
2. Você não se importa com luxo, quer mesmo explorar e descobrir novas culturas, aprender com as diversas histórias no caminho;
3. Você economiza, faz poupança, calcula gastos diários, e planeja com muito prazer as suas viagens, logo após ter acabado de chegar de uma;
4. O passaporte está pronto, sempre impecável, e os equipamentos caso use, muito bem conservados e guardados só esperando uma oportunidade;
5. Você não espera a oportunidade, você faz acontecer. Tem ideias como organizar viagens com os amigos para que sua hospedagem saia de graça e ainda ganha uma grana extra;
6. Você acredita que dinheiro gasto em viagem é investimento;

Se você se sente assim, como eu descrevi acima, meu amigo, você tem a síndrome. E não vem me dizer que todo mundo tem não, porque tem muita gente aí que não tem interesse de sair nem da sua cidadezinha, gosta de ficar no seu sítio quieto… Não é mesmo? Pois então…

Uma boa notícia é que se você tem Wanderlust você só pode ser um cara muito maneiro! Ou uma mina muito firmeza! Ou uma mulher muito descolada, inteligente, linda e empoderada, ou um homem muito interessante, prestativo e charmoso!

Né?

Vocês devem estar achando que eu inventei tudo isso, mas não inventei não. Mais do que um capricho ou uma vontade, estudos científicos mostram que o wanderlust tem um fundamento genético e é algo real.

A Teoria de David Zald diz que as pessoas que assumem riscos obtêm uma dose incomum de dopamina cada vez que passam por uma nova experiência, precisam disso porque seus cérebros não conseguem inibir adequadamente o neurotransmissor.

Essa explosão faz com que nos sintamos bem, então, se não viajamos constantemente, despertamos comportamentos exploratórios, mesmo que no próprio bairro, mudando o caminho para ir ao trabalho, prestando atenção aos objetos que descartam nas ruas, como se caçássemos um tesouro, comprando o pão de cada dia em padarias diferentes… E assim vai…, não deixa de ser um vício, mas que não é droga, é remédio.

Alguns sites indicam que as pessoas com wanderlust são mais independentes, criativas e possuem a mente aberta, sem preconceitos. Eu me vejo assim, talvez seja mesmo.

Já a Unicamp, publicou que há indícios fortes de que essa síndrome tenha origem genética.

Não dizem que “está no sangue”? A expressão foi confirmada aqui. A vontade de conhecer o novo e se arriscar pode ser explicada por uma característica encontrada no DNA. O gene DRD4-7r ou ‘gene Wanderlust’, como foi apelidado, tem relação com curiosidade e inquietação e é objeto de pesquisa de especialistas da área de psicologia, neurociência e genética.

A 7r está associada a migração humana, e pode ser passada de geração em geração e são mais frequentes em populações com costumes nômades do que em outras com estilo sedentário.

Eu sou dessas, tenho o sangue nômade, e uma hora ou outra vou me jogar e desbravar e esse mundão de Deus!

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS

COMENTÁRIOS




Iara Fonseca
Jornalista, poeta, educadora social, fundadora e editora de conteúdo do Rede de Ideias: PRODUÇÃO DE CONTEÚDO. Seu interior é intenso, sempre foi, transforma suas angustias em textos que ajudam muito mais a ela própria do que a quem lê. As vezes se pega relendo seus textos para tentar colocar em prática aquilo que, ela mesma, sabe que é difícil. Acredita que viemos aqui para aprender a ser, a cada dia, um pouco melhor, para si mesmo, e para o outro!