Mikhael tinha 15 anos apenas, mas em um período curto, de um ano, quando foi diagnosticado com Depressão e Borderline, as coisas pioraram muito, e sua situação estava chegando mesmo ao limite. Não comia, não tomava banho, só ficava no quarto e estava desenvolvendo problemas graves com relação a sua aparência, o espelho do quarto ficava coberto e apresentava sintomas de bulimia e anorexia. Mesmo com todo amor dos pais, e com os tratamentos em andamento, o menino que cursava o nono ano acabou tirando a própria vida…

Os pais são Daniel e Isabela Mastral: ele é escritor e conferencista, 51 anos, e ela médica, 49. Segundo relado da mãe, para o site UNIVERSA UOL, Mik, como era chamado carinhosamente, já havia tentado tirar a vida outras duas vezes, e foi salvo pela mãe, que se dedicava integralmente ao filho nos últimos meses.

Mas no último dia 22 de dezembro, ela não estava por perto, e não houve tempo de salvá-lo, para a tristeza de todos. Segundo ela, ele deixou um diário que será publicado no dia de seu aniversário, em fevereiro, lá ele descreve seu sofrimento e como era difícil para ele continuar convivendo com tanta dor. Os pais acreditam que a publicação poderá ajudar muitas pessoas que passam pelo mesmo e que pensam que estão sozinhas.

Replicaremos aqui o depoimento que Isabela Mastral concedeu logo após a perda do filho para que outras famílias possam ser acolhidas, na torcida que consigam ajudar seus filhos e parentes a tempo, ou caso não tenham podido fazer nada, e o mal tenha se instalado, que possam se sentir acarinhados e consolados, ao saberem que vocês não estão sozinhos:

“É muito triste ver um filho abatido. Ele teve todo nosso amor, amparo, acolhimento, orações. Teve também suporte psiquiátrico de perto. Não levamos nenhum peso de culpa.Fizemos nosso melhor. Paramos nosso trabalho para nos dedicar em tempo integral a ele. Nunca negamos um abraço. Eu também tive depressão e Borderline. Demorou mais de dez anos para achar o tratamento certo.

Mikhael era um jovem bom, respeitador, honesto, puro e, muitas vezes, ingênuo. Acreditava nas pessoas e no amor. Tratava todos como iguais. Passou a se sentir um peso para nós. Ele sabia que estávamos tomando antidepressivos também e achava que a vida dele estava nos matando.Dizia sempre que nos amava.

Antes da doença se manifestar, Mik saía mais, sorria, brincava, estudava, fazia planos.Aí ele mudou. Parecia ter girado uma chave. Caiu seu rendimento escolar, não saía mais do quarto,passou a ter uma perturbação com sua aparência. Estava com anorexia e bulimia.Tampava o seu espelho para não se ver. Sua autoestima estava baixa, e insistimos em estar com ele sempre. Mas era como ver uma luz apagando. Dia a dia. Não se alimentava, não tomava banho.

Ele se afastou das redes sociais e recebia poucas visitas. Achava que os amigos o abandonaram. Outros, para piorar, ofereceram a ele álcool e drogas para “anestesiar” a dor. E isso piora o quadro, como aconteceu.

Antes deste episódio, houve uma intoxicação e consegui mantê-lo vivo. Ele ficou internado em UTI por quatro dias, 16 horas em coma profundo. No dia 20 de dezembro, se feriu e conseguimos contornar novamente a situação. Consegui novamente evitar que algo pior acontecesse.

No dia seguinte, o levamos a uma especialista em transtornos em adolescentes e saímos com a esperança de conseguirmos uma vaga no HC (Hospital das Clínicas de São Paulo) para tratamento. A médica considerou seu estado bom. Ele saiu feliz da consulta, enxergando melhores possibilidades. Nessa mesma sexta-feira, saiu para encontrar umas amigas.

Sábado, dia 22, tentou novamente se matar e dessa vez não estávamos perto. Naquele mesmo dia, no fim da tarde, a vaga do HC estava à disposição, mas era tarde demais.

Ele deixou seu diário. Lá, escreveu tudo o que estava sentindo, desde a primeira tentativa. Escreveu do fundo do poço. Vamos publicar o diário dele na data em que faria 16 anos, 15 de fevereiro. É um relato feito por alguém muito ferido. Nós também vamos apresentar nosso olhar nessa publicação, no site.

Somos cristãos e Jesus nos ensina que não é fraqueza expor a dor.

Espero que ajude muitos a enxergar que depressão é uma doença e que essas pessoas recebam mais empatia. Elas precisam de amor. Esperamos também que preconceitos caiam. Não há como acrescentar mais dor e punição a quem está tão ferido.

Peço que escolas e amigos não os abandonem, não zombem, não julguem quem está nessa situação. Sejam pacientes, abracem, acolham, visitem. Isso os faz se sentirem importantes.

Esgotamos todos os recursos. Fizemos nosso melhor. Infelizmente, enquanto acharem que depressão é “frescura” ou que é “demônio”, os índices podem aumentar. Falar sobre o tema é a melhor maneira.

Papais e mamães: não carreguem o fardo da culpa.

Um dia, estaremos todos juntos. Estamos vivendo o luto. Dói profundamente. Como se uma estaca entrasse em seu peito.

Não ‘briguem’ com Deus. Nem esperem respostas rápidas. Tudo vem ao seu tempo. A dor será transformada em saudade e ela em boas lembranças”.

Um relato emocionante que serve de consolo para muitos pais que se sentem culpados por não terem conseguido ajudar o quanto queriam, e para muitos que pensam em cometer um ato tão irreversível como esse,e que causa tanta dor para os familiares que ficam…

Pense bem, no momento você sente dor, quer acabar com essa dor e a única saída que vê é tirar a própria vida? Não meu amor, essa saída é muito egoísta, primeiro que não acaba com a sua dor, porque você continua vivendo o sofrimento pós-morte, e quando se dá conta disso, vem o arrependimento, que é pior do que a dor que você já sentia. E a dor que você causa aos seus familiares e amigos, quando você resolve tirar a própria vida, é tão maior do que a que você sentia, porque você condena essas pessoas a sofrerem pela sua falta pelo resto dos dias delas nessa vida.

Isso é egoísmo! Você não deve acabar com o seu sofrimento causando sofrimento aos outros. Sei que muitos não querem causar dor em quem mais amam! Tem gente que quer? Tem. Mas por favor, não façam isso! O carma que vocês vão carregar é tão grande, que não compensa!

Você sofre? Sofre muito? Uma saída para conseguir conviver melhor com tudo isso é buscar ajudar quem sofre como você. Busque se tornar útil e prestar um serviço para aqueles que também precisam de ajuda. Só sofre quem não se torna útil… Por isso, busque ser útil, busque todos os tratamentos, busque na fé, na religião, busque nos remédios e nas terapias, mas nunca, em hipótese alguma, cometa o ato de tirar a própria vida!

Confie que os dias serão melhores, e eles serão!

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Iara Fonseca
Jornalista, poeta, educadora social, fundadora e editora de conteúdo do Rede de Ideias: PRODUÇÃO DE CONTEÚDO. Seu interior é intenso, sempre foi, transforma suas angustias em textos que ajudam muito mais a ela própria do que a quem lê. As vezes se pega relendo seus textos para tentar colocar em prática aquilo que, ela mesma, sabe que é difícil. Acredita que viemos aqui para aprender a ser, a cada dia, um pouco melhor, para si mesmo, e para o outro!