Dark: a série que nos diz que o tempo não nos pertence

Dark foi eleita a melhor série da Netflix de acordo com a prestigiosa revista digital Rotten Tomatoes. Hoje, contaremos o que há de especial no seu enredo.

Dark: a série que nos diz que o tempo não nos pertence

A série de ficção científica alemã Dark foi eleita a melhor série de toda a plataforma Netflix pelo prestigiado portal Rotten Tomatoes. Dark foi criada por Baran bo Odar e Jantje Friese em 2017.

Este reconhecimento não é surpreendente, uma vez que esta série tem ingredientes muito bons.

Ela nos faz fantasiar sobre a ideia do tempo de uma forma científica e metafísica que não havia sido explorada por nenhuma produção cinematográfica até então.

O enredo apresenta a concepção de tempo como algo cíclico, fundamentada na ideia do eterno retorno de Friedrich Nietzsche nas suas obras A Gaia Ciência e Assim falou Zaratustra.

Mas, ao contrário do meramente filosófico, Dark levanta a possibilidade real da operação do tempo como um loop eterno, que produz a eliminação das concepções clássicas de passado, presente e futuro.

Por esse motivo, os personagens podem se mover entre esses tempos e influenciar os eventos que acontecem antes ou depois.

O enredo de Dark

O argumento central que domina todo o enredo da série é explicar como a viagem no tempo afetou a cidade fictícia alemã de Winden.

A primeira temporada começa com o desaparecimento de um menino em 2019, Mikkel, que some em uma caverna em uma floresta semelhante à Floresta Negra alemã.

Essa floresta está repleta de cavernas subterrâneas e uma usina nuclear que esconde certos mistérios, incluindo uma descoberta científica que pode mudar o curso da humanidade.

Um dos adolescentes envolvidos no incidente, Jonas, decide investigar o que aconteceu. Suas primeiras indagações o levam a descobrir que tudo está relacionado.

Primeiro o suicídio de seu pai, Michael, alguns meses antes, e depois a capacidade da caverna de poder alterar sua capacidade temporal.

Além desse buraco temporal na caverna, existem outros métodos para viajar no tempo, alguns relacionados à caverna e à usina nuclear e outros um pouco diferentes que serão revelados aos poucos em um enredo emocionante.

Quatro famílias, um mistério

A história gira em torno de quatro famílias da cidade: Kahnwald, Nielsen, Doppler e Tiedemann, em três linhas temporais diferentes: 1953, 1986 e 2019.

O ano de 2019 é o ponto de partida da ação narrativa e do arco principal, ou seja, o presente da série.

As linhas temporais estão separadas por 33 anos e os personagens interagem uns com os outros conforme se movem entre cada uma dessas três linhas.

Eles fazem isso através de um buraco de minhoca que pode ter sido criado por um vazamento de uma substância da usina nuclear de Winden.

A concepção de tempo ao longo da história da humanidade

Dark é uma série que trata da teoria cíclica do tempo, mas existem muitas teorias relacionadas a este tema. Para situá-las, vamos revisar algumas correntes de pensamento que têm lidado com a concepção de tempo:

A teoria do eterno retorno ou eterna recorrência é uma ideia compartilhada por várias civilizações antigas, como a asteca, a indiana, a grega e a egípcia. Os eventos da realidade objetiva se repetem ciclicamente.

É a ideia que mais se reflete na premissa de Dark.

A segunda ideia sobre a concepção temporal surge com as religiões hebraica e cristã, que propõem uma concepção linear do tempo. Esta é aquela que todos costumam assumir como correta.

Pensadores como Louis Auguste Blanqui e Friedrich Nietzsche também sustentam a ideia de um retorno eterno: as circunstâncias e os acontecimentos se repetem ciclicamente.

Aristóteles negou a existência do passado e do futuro devido ao impedimento de verificar onde estão os eventos anteriores e como saber os que virão.

Na era moderna, existem duas correntes de pensamento a respeito da concepção de tempo: de um lado, a teoria objetivista, que emerge dos estudos de física de Isaac Newton, a mais aceita até a publicação da teoria da relatividade de Einstein.

A teoria subjetivista, proposta por Immanuel Kant, estabelece que o tempo se explica a partir das experiências individuais. Portanto, é uma construção pessoal. Essa ideia transfere a concepção temporal para o campo da psicologia.

Por outro lado, as contribuições da teoria da relatividade de Einstein, da teoria das cordas e da pesquisa de Stephen Hawking sobre buracos negros que ocorrem em Dark ainda não foram comprovadas na prática.

O que acontece com o tempo em Dark?

Em Dark, a figura do buraco de minhoca é usada para explicar a viagem entre as três dimensões do tempo. A liberação de energia da usina nuclear pode ter dado atividade a esse buraco que fica no labirinto de cavernas que atravessa a cidade.

Dark levanta a ideia de tempo não como uma dimensão linear, mas como um loop infinito baseado no conceito de eterno retorno de Nietzsche.

Essa também é a concepção que civilizações como os maias, os indianos, os chineses e os antigos egípcios tinham do tempo.

Embora o enredo da série não especifique que é possível viajar para além dos períodos representados, há dois personagens (Jonas Kahnwald e Claudia Tiedemann) que voltam ao passado.

O objetivo é mudar os fatos e destruir o mecanismo que permite aos diferentes protagonistas da série transitar entre as três épocas.

Com isso, justifica-se um dos temas mais importantes que a série defende: o passado influencia o futuro e o futuro influencia o passado.

Tudo está relacionado entre si.

Não há começo nem fim; o tempo é como um círculo onde todos os eventos coexistem e todas as realidades temporais estão interligadas.

*Da Redação RH. Com informações La Mente es Maravillosa

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