Crítica ao filme “Não Olhe Para Cima”, de Adam McKay, na NETFLIX

Por Octavio Caruso

Uma dupla de cientistas descobre que um gigantesco meteoro vai se chocar contra a Terra em seis meses. No entanto, ao saírem alertando o mundo pela imprensa, os dois são recebidos com desdém e descrença.

O roteirista/diretor Adam McKay aprecia sobremaneira humor negro, cutucar feridas, traz no currículo a pérola “O Âncora – A Lenda de Ron Burgundy” (2004), gozação ácida com a imprensa televisiva, mas perdeu a mão com “Vice” (2018), em que debochava da política e da visão romantizada das cinebiografias hollywoodianas.

O estilo dele é espirituoso, conscientemente displicente, algo que coube como luva no contexto do primeiro, só que o exagero na utilização dos recursos narrativos espertinhos trabalhou contra a imersão no segundo, problema que já se mostrava evidente em “A Grande Aposta” (2015), o tom te retirava da experiência, fazia com que a atenção fosse direcionada para a forma, não para o conteúdo. McKay deixa claro em sua verborragia que se considera muito mais inteligente do que os seus personagens (e até o público), uma postura artisticamente arrogante.

O aspecto excessivamente pretensioso já é perceptível novamente na desnecessariamente longa duração de “Não Olhe Para Cima”, algo que simplesmente não se justifica narrativamente.

O ritmo é terrivelmente arrastado, algumas cenas se alongam de forma irritante, sem sutileza, desgastando o elemento cômico que se perde pela exaustão, problema que nem mesmo o elenco grandioso, incluindo Meryl Streep, Leonardo DiCaprio e Cate Blanchett, consegue compensar.

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Foto: Divulgação

Nas redes sociais, o filme provocou um fenômeno curioso, a esquerda afirma que é uma forte crítica à direita, mas a direita afirma que é uma forte crítica à esquerda.

O que eu enxergo neste sentido sobre a obra?

Na superfície, fica óbvio que utiliza o meteoro como alegoria para demonizar os governos “negacionistas” que não abraçam a agenda do “aquecimento global”, incitam o ódio contra os lúcidos e qualquer indivíduo que ouse questionar o tema, mas o roteiro joga material suficiente para as duas plateias se identificarem nos estereótipos que alimentam.

Os papeis que cumprem no tabuleiro, com espaço generoso para linguagem preditiva, sinalizando a farsesca ameaça futura nos planos descarados de escravidão totalitária pelo medo ao qual se utilizam alguns políticos.

Na seara das sátiras cinematográficas com viés político/social, a objetividade é o segredo do sucesso, títulos como “Dr. Fantástico”, “O Dorminhoco”, “Idiocracia”, “O Demolidor”, “Tempos Modernos” e “A Morte de Stalin”, entenderam plenamente esta necessidade básica, o ato de se colocar os pés no chão e rir de si mesmo é fundamenta.

McKay peca sempre por se colocar num pedestal, enquanto aponta o dedo e ri alto dos pobres mortais abaixo, postura nada simpática que transparece em seu estilo do início ao fim e suscita repulsa, ao invés de convidar o espectador à divertida autocrítica.

A impressão que passa é que estamos em posição desprivilegiada vendo os titereiros do caos, aqueles que propositalmente financiam a alienação da massa, os multimilionários que preparam o gado para o abate, rindo muito da cara daqueles que facilmente manipulam com teatralidade a rasteira.

E vocês, o que acharam do filme? Concordam com essa crítica?

*DA REDAÇÃO SAG.

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