Albert Einstein nunca escondeu que era ateu e antes de morrer deixou uma carta manuscrita na qual questiona a existência de Deus. A mesma foi vendida em Nova York por US$ 2,89 milhões em um leilão organizado pela Christie’s.

O valor foi considerado por muitos especialistas como fora do normal, visto que o preço conseguido pela carta é consideravelmente superior ao estimado para o documento, esperavam receber por ela entre US$ 1 milhão e US$ 1,5 milhão.

A carta de Einstein conseguiu superar a marca de US$ 2,1 milhões arrecadados pela dirigida em 1939 a Franklin D. Roosevelt, então presidente dos Estados Unidos, onde ele alertava sobre projetos atômicos alemães.

Einstein escreveu essa carta em 1954, em alemão para o filósofo judeu alemão Eric Gutkind, e nela ele deixa claro que não acredita em qualquer crença religiosa.

Algumas partes da carta foram divulgadas, onde ele diz:

“A palavra Deus não é nada para mim, mas a expressão e o produto da fraqueza humana, a Bíblia é uma coleção de lendas veneráveis, mas ainda muito primitivas”, escreve o físico alemão um ano antes de sua morte, em abril de 1955.

“Nenhuma interpretação, por mais sutil que seja, pode (para mim) mudar isso”, acrescenta na carta de uma página e meia o físico que alcançou a fama com sua teoria da relatividade.

Muito a frente do seu tempo, suas afirmações chocavam os representantes das Igrejas da época, e chegou a criticar até mesmo a religião de seus pais. Filho de judeus asquenazes, fugiu da Alemanha quando Adolf Hither assumiu e foi morar nos Estados Unidos, onde encontrou liberdade para realizar suas pesquisas e expressar sua visão de mundo. Para ele o judaísmo não é superior a outras religiões e os judeus não são o povo escolhido.

Segue algumas afirmações históricas que estão na carta que se tornou o papel mais valioso de todos os tempos:

“Para mim, a religião judaica é como todas as outras religiões, uma encarnação da superstição primitiva”, escreve Einstein.

“E o povo judeu, ao qual eu pertenço com muito gosto, e em cuja mentalidade me sinto profundamente ancorado, até para mim não tem nenhum tipo de dignidade diferente de outros povos”, afirma.

“Na minha experiência, eles não são de fato melhores do que outros grupos humanos”, completa.

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Iara Fonseca
Jornalista, poeta, educadora social, fundadora e editora de conteúdo do Rede de Ideias: PRODUÇÃO DE CONTEÚDO. Seu interior é intenso, sempre foi, transforma suas angustias em textos que ajudam muito mais a ela própria do que a quem lê. As vezes se pega relendo seus textos para tentar colocar em prática aquilo que, ela mesma, sabe que é difícil. Acredita que viemos aqui para aprender a ser, a cada dia, um pouco melhor, para si mesmo, e para o outro!