Esse cachorrinho foi abandonado e passou tanta fome na vida que ao ser resgatado, percebendo que ele estava muito faminto, a equipe deu a ele um pode de ração, e para a surpresa de todos, ele resolveu deixar metade para comer depois.

Para a equipe de resgate ele passou por muitas dificuldades, por dias, não tinha o que comer, e hoje, desenvolveu a inteligencia de racionar a própria comida, sempre que recebe a ração, trata de deixar um pouquinho no potinho para que não precise passar fome novamente.

A gente não consegue entender como deve ser difícil para um cachorrinho indefeso, ingênuo, com a bondade no olhar, ser dependente de humanos que não possuem a menor responsabilidade e muito menos, cuidado com ele. Humanos insensíveis que buscam apenas a satisfação imediata de ter um animal que demonstre amor por eles, mas por não saberem o que é o amor de verdade, recebem e não conseguem devolver o mesmo amor para o bichinho.

Ele recebeu um nome, se chama Otávio, e segundo relatos dos protetores de animais, ele morava com uma família que tinha o costume de resgatar vários animais na rua, mas que os negligenciava e os deixava muito mal nutridos, com muitas restrições, principalmente de alimentos e afeto.

Quem tem um animalzinho de estimação sabe muito bem que eles sentem como nós. Sentem fome, sede, ficam bravos, com raiva, dor, sentem saudade, ficam magoados, e a única coisa que sentem diferente, é o amor, porque o amor que eles sentem por nós é infinitamente maior do que a gente sente por eles, mesmo que achemos que nosso amor é equivalente, assim mesmo, podemos ter certeza que o amor deles é maior, livre de preconceitos e incondicional.

O cãozinho teve um passado triste e como nós humanos, quando nos magoamos ou somos mal tratados, nos sentimos receosos e tentamos encontrar meios de nos sentir seguros, sem ter que depender de ninguém, e foi isso que Otávio fez.

Ele não queria mais passar fome, e quando viu pessoas o alimentando, ele queria se entregar, mas ficou com o pé a trás, e decidiu se proteger, comendo apenas parte da ração e guardando a outra parte para depois, esse é um comportamento que ele adquiriu caso venha a ser abandonado novamente, ou, caso aquelas pessoas que estavam o ajudando, resolvam sumir por vários dias.

Essa atitude do catiorinho emocionou a todos, até que Joice Lamas e seu marido resolveram o adotar. Foi nesse momento que a vida de Otávio mudou completamente.

“Desde o primeiro momento em que o vimos, nunca nos separamos”, disse Lamas ao site The Dodo.

Hoje ele recebe muito amor do casal, e por mais que ele ainda tenha alguns medos e inseguranças, ele já melhorou muito, está mais confiante e já se aconchega nos novos donos. Porém ainda mantém o hábito de separar a comida no potinho e deixar um pouquinho para depois.

Os donos contam que, até hoje, Otávio come sempre apenas a metade.

Lamas acredita que as pessoas que cuidavam dele deveriam colocar comida de vez em quando, com pouca frequência, e ele, por esse motivo, deve ter desenvolvido esse mecanismo de defesa, e mesmo já tendo percebido que a sua situação agora é outra, ainda mantem esse hábito.

“É triste”, disse Lamas. “Eu sempre digo a ele: ‘Tudo bem se você comer tudo’.”

Deve ser muito triste para os donos ver essa consciência impregnada no seu animalzinho, sintomas de trauma e de uma profunda necessidade de cuidado e carinho. A vida de Otávio e dos seus companheiros não deve ter sido nada fácil, e penso que muitos cachorrinhos estão passando pelo mesmo sofrimento nesse exato momento.

Oro pelos protetores de animais que lutam diariamente, sem recursos financeiros para resgatar animais como Otávio das mãos de Humanos desequilibrados e sem sentimentos, que eles recebam o apoio que merecem nessa luta desumana, e que se agarrem na força de Deus para nunca pararem esse trabalho tão bonito!

**Com informações de The Dodo

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Iara Fonseca
Jornalista, poeta, educadora social, fundadora e editora de conteúdo do Rede de Ideias: PRODUÇÃO DE CONTEÚDO. Seu interior é intenso, sempre foi, transforma suas angustias em textos que ajudam muito mais a ela própria do que a quem lê. As vezes se pega relendo seus textos para tentar colocar em prática aquilo que, ela mesma, sabe que é difícil. Acredita que viemos aqui para aprender a ser, a cada dia, um pouco melhor, para si mesmo, e para o outro!