Às vezes, a forma mais certeira de chamar a atenção da pessoa consiste em não dar mais atenção a ela. Muito provavelmente, aquele que se acostumou com bajulações irá estranhar a falta delas.

Uma das piores sensações do mundo é sentir-se invisível. Não existe quem se sinta bem vagando por aí sem ser visto, notado, sentido, ouvido. Somos sentimentos e nos completamos na interação com o outro, nas trocas entre nós e o mundo lá fora. E, caso o exterior só retorne ecos vazios, sofremos e acabamos com nossa autoestima.

Uma das melhores maneiras de se evitar isso é notarmos onde nos sentimos alguém de verdade e com quem podemos partilhar e compartilhar sentimentos com reciprocidade. Não seremos queridos em todos os lugares, nem seremos a opção de todo mundo, porém, sempre existirá gente que nos enxergará e nos valorizará. Sempre haverá lugares onde nos sentiremos bem, onde nos sentiremos vivos.

Mesmo assim, haverá momentos em que teremos que ser notados, que ser ouvidos, que nos colocar e fazer valer o que somos. Seja no emprego, na sala de aula, seja numa roda social, entre outros, quando percebermos que devemos contribuir de alguma forma, teremos que nos impor e expressar o que quisermos. Tem muita gente que só olhará para o nosso lado se formos assertivos e seguros, sem rodeios.

Muitas vezes, costumamos tentar chamar a atenção de alguém, querendo que a pessoa note nossa presença, nossa importância, nosso valor, sem sucesso, e acabamos por desmerecer a nós mesmos, rastejando atrás de quem mal percebe o que fazemos. Para que sejamos notados, é necessário mudar nosso comportamento, deixando de ficar mendigando a atenção do outro. Muito provavelmente, aquele que se acostumou com bajulações irá estranhar a falta delas.

Às vezes, portanto, a forma mais certeira de chamar a atenção da pessoa consiste em não dar mais atenção a ela. Dessa forma, quando parar de ter o que já era rotina, acabará por voltar os olhos para fora de seu umbigo e nos enxergará, porque há quem somente valoriza aquilo que não tem ou que deixou de ter. Ainda assim, é preciso estar consciente de que esse tipo de gente raramente conseguirá mudar, a não ser momentaneamente, uma vez que está preocupada demais consigo mesma. Lembremos sempre: quem não nos valoriza é que sai perdendo. Sigamos!

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Prof. Marcel Camargo
Graduado em Letras e Mestre em "História, Filosofia e Educação" pela Unicamp/SP, atua como Supervisor de Ensino e como Professor Universitário e de Educação Básica. É apaixonado por leituras, filmes, músicas, chocolate e pela família.